AS DROGAS DO ÊXTASE: HEDONISMO E LUXURIA O maior produtor de superficializações de importâncias reais na vida é a luxuria. Por isso é que o capitulo 7 de Eclesiástes—entre outros trechos—nos diz que “é melhor” a casa onde há pranto, o dia da morte, o fim de todas as coisas, e a própria tristeza, que a casa dos folguedos e das muitas risadas, pois, é pelos encontros que se tem com a realidade como dor e lágrima, que “se faz melhor o coração”. É nesse lugar-experiência-de-dor que se aprende o que é e o que não é, o que tem real valor, e o que é apenas miragem e engano. A contra mão dessa realidade, e que carrega em si o poder de falsificar a realidade e seus genuínos valores, é o hedonismo e a luxuria. O hedonismo é uma droga de prazer instalada como dinâmica no aparelho psíquico, e que controla o indivíduo pela alegria da satisfação do desejo, e que cresce de tal modo que é capaz de anestesiar a consciência para o real significado das coisas. O prazer passa a ser o valor supremo, e tudo o que não for prazer, não vale nada. Assim, a escala de valores está intimamente ligada ao pendor da psiquê. Realmente é do coração que nascem as fontes da vida. O hedonismo é também o valor. E a luxuria é a sua recompensa. Ora, quando tais estados se estabelecem, qualquer outro valor, mesmo os verdadeiramente mais apreciados e amados pelo indivíduo, são relativizados quando a droga do prazer começa a correr nas veias da pessoa. A questão é que os frutos do hedonismo e da luxuria são banais e passageiros, são apenas vícios, drogas, injeções de vaidade narcisista. No entanto, eles têm o poder de agredir a afrontar reais e essenciais valores do ser. Essas drogas de êxtase—hedonismo e luxuria—não apenas tiram a senso do indivíduo que está por eles possesso e adoecido, como também fazem suspensão acerca das gravidades implicadas naqueles atos, e que podem ferir terrivelmente, e até incuravelmente, pessoas e valores muito mais elevados, tanto como afronta ao amor-em-si, como também nos demais bens que dele decorrem na vida, e que dão vida verdadeira a todos os vínculos humanos. Para simplificar, deixe-me ilustrar de modo bem baixo e simples, para que todos entendem o que estou dizendo: Uma transada com a vizinha pode ser inevitável... até que destrói para sempre o seu casamento com a mulher que você genuinamente amava e nem sabia o quanto: a sua mulher. Nesse dia o cara põe a mão na cara e chora muito... Tudo o que para ele, na casa das festas, era nada, agora será tudo em importância proporcional à própria dês-importância a ela atribuída pelo que “se apossava do prazer”, posto que agora ele terá que lidar com a verdadeira perda do amor que o alimentava, mas que era submetido a suspensões sempre que a droga do hedonismo estabelecia o valor do desvalor, e a recompensa da luxuria iludia o viciado. O arrependimento entra nessa história como o elo que reconcilia a experiência do hedonismo luxuriante com a verdade daquilo que tem valor perene para o ser. O arrependimento vai buscar o sujeito no chão forrado com os tapetes púrpura da casa da luxuria, e terá como missão conduzi-lo de volta até ao que real, onde a alegria do prazer não é viciante, e nem faz a suspensão da realidade, antes aprofunda a vida nela, e de tal modo que é só então que o verdadeiro prazer pode ser conhecido como liberdade e alegria. Algumas vezes, todavia, a pessoa tem que visitar a casa do luto a fim de que seu coração seja acordado dos torpores dos prazeres anestesiantes e fugazes, a fim de poder experimentar as próprias emoções como estabilidade, e, como verdadeiro prazer, que é aquele que se alegra no que é, não na ilusão de uma fantasia luxurienta. Somente nesse dia a pessoa aprende que o que tem valor, tem valor! É para Parar & Pensar!.....
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
AS DROGAS DO ÊXTASE: HEDONISMO E LUXURIA
AS DROGAS DO ÊXTASE: HEDONISMO E LUXURIA O maior produtor de superficializações de importâncias reais na vida é a luxuria. Por isso é que o capitulo 7 de Eclesiástes—entre outros trechos—nos diz que “é melhor” a casa onde há pranto, o dia da morte, o fim de todas as coisas, e a própria tristeza, que a casa dos folguedos e das muitas risadas, pois, é pelos encontros que se tem com a realidade como dor e lágrima, que “se faz melhor o coração”. É nesse lugar-experiência-de-dor que se aprende o que é e o que não é, o que tem real valor, e o que é apenas miragem e engano. A contra mão dessa realidade, e que carrega em si o poder de falsificar a realidade e seus genuínos valores, é o hedonismo e a luxuria. O hedonismo é uma droga de prazer instalada como dinâmica no aparelho psíquico, e que controla o indivíduo pela alegria da satisfação do desejo, e que cresce de tal modo que é capaz de anestesiar a consciência para o real significado das coisas. O prazer passa a ser o valor supremo, e tudo o que não for prazer, não vale nada. Assim, a escala de valores está intimamente ligada ao pendor da psiquê. Realmente é do coração que nascem as fontes da vida. O hedonismo é também o valor. E a luxuria é a sua recompensa. Ora, quando tais estados se estabelecem, qualquer outro valor, mesmo os verdadeiramente mais apreciados e amados pelo indivíduo, são relativizados quando a droga do prazer começa a correr nas veias da pessoa. A questão é que os frutos do hedonismo e da luxuria são banais e passageiros, são apenas vícios, drogas, injeções de vaidade narcisista. No entanto, eles têm o poder de agredir a afrontar reais e essenciais valores do ser. Essas drogas de êxtase—hedonismo e luxuria—não apenas tiram a senso do indivíduo que está por eles possesso e adoecido, como também fazem suspensão acerca das gravidades implicadas naqueles atos, e que podem ferir terrivelmente, e até incuravelmente, pessoas e valores muito mais elevados, tanto como afronta ao amor-em-si, como também nos demais bens que dele decorrem na vida, e que dão vida verdadeira a todos os vínculos humanos. Para simplificar, deixe-me ilustrar de modo bem baixo e simples, para que todos entendem o que estou dizendo: Uma transada com a vizinha pode ser inevitável... até que destrói para sempre o seu casamento com a mulher que você genuinamente amava e nem sabia o quanto: a sua mulher. Nesse dia o cara põe a mão na cara e chora muito... Tudo o que para ele, na casa das festas, era nada, agora será tudo em importância proporcional à própria dês-importância a ela atribuída pelo que “se apossava do prazer”, posto que agora ele terá que lidar com a verdadeira perda do amor que o alimentava, mas que era submetido a suspensões sempre que a droga do hedonismo estabelecia o valor do desvalor, e a recompensa da luxuria iludia o viciado. O arrependimento entra nessa história como o elo que reconcilia a experiência do hedonismo luxuriante com a verdade daquilo que tem valor perene para o ser. O arrependimento vai buscar o sujeito no chão forrado com os tapetes púrpura da casa da luxuria, e terá como missão conduzi-lo de volta até ao que real, onde a alegria do prazer não é viciante, e nem faz a suspensão da realidade, antes aprofunda a vida nela, e de tal modo que é só então que o verdadeiro prazer pode ser conhecido como liberdade e alegria. Algumas vezes, todavia, a pessoa tem que visitar a casa do luto a fim de que seu coração seja acordado dos torpores dos prazeres anestesiantes e fugazes, a fim de poder experimentar as próprias emoções como estabilidade, e, como verdadeiro prazer, que é aquele que se alegra no que é, não na ilusão de uma fantasia luxurienta. Somente nesse dia a pessoa aprende que o que tem valor, tem valor! É para Parar & Pensar!.....
E PARA ONDE IRÃO AS RELIGIÕES?
E PARA ONDE IRÃO AS RELIGIÕES? Escrito em 29/09/03 São três da manhã. Estou assistindo as notícias do mundo. Em quase todas elas a Religião está presente. Os temas vão de Israel ao Vaticano. Do Islamismo aos radicais de Direita Religiosa americanos. Bin, Sharon, Bush, Saddam, Papa... Todos estão certos de suas certezas… Não há soluções humanas possíveis! No centro dos piores conflitos está a Religião! Ora, onde há religião nunca há paz! É verdade que as guerras habitam na carne. Mas a carne adora se expressar pela Lei.E nenhuma Lei é mais poderosa que aquela que se impõe em nome de algum “Deus”. Seja qual for o “Deus”. O Cristianismo está no centro dessas calamidades, em companhia do Judaísmo e do Islamismo. Trata-se do Triangulo das Bermudas onde todas as esperanças desaparecem no mundo presente. É verdade que as Forças Econômicas também são poderosas quanto a incitar a guerra. Mas os homens de negócio dão tanto valor ao dinheiro que acabam se entendendo. É mais fácil unir o mundo em nome do Dinheiro que em nome de um outro “Deus”. O Dinheiro é “liberal”, negocia. A Religião, não. Por isso é que na Nova Jerusalém não há nenhum “santuário”. João procurou e não achou nenhum... A Religião só conhece a união entre os absolutamente iguais. Os diferentes são sempre inimigos ou seres a serem conquistados para a “clonagem”. O problema é que a Terra é habitada por seres diferentes... Ora, para a Religião “paz” significa uniformidade... Se sairmos do Mundo em nossa visão maior, e olharmos apenas para o Brasil, o quadro é o mesmo. O que a Religião estabelece é o partidarismo. Prova disso é que quanto mais cresce a Religião—entre elas a Evangélica—, mais aumenta o preconceito e o espírito de divisão. Religião é Babel: torre do homem para marcar seu nome perante “os céus”. Daí só provém confusão. Linguagens que não se fazem interpretar. Gente dos “santuários” tem até dificuldade de aceitar—embora esteja escrito—, que na Nova Jerusalém as folhas da Árvore da Vida serão para “a cura dos povos”. Menos ainda conseguem entender que as “nações trarão ações de graças ao Cordeiro” na Nova Jerusalém. Já criaram até a categoria dos “sub-redimidos” para explicar porque esses “estranhos” terão acesso à Cidade das Doze Portas, e que permanecem abertas o tempo todo, conforme o Apocalipse. Se dependesse de nossas mentezinhas de azeitona, alguém re-escreveria os últimos capítulos do Livro da Revelação. As portas lá estão abertas demais para o gosto da maioria de nós. O estranho é que essa Sociedade Redimida tem uma única fonte de Luz: a do Cordeiro. E tem gente que ainda se admira que lá João não viu “nenhum santuário”! É claro que não pode haver essas coisinhas por lá. Se houvesse, não seria um lugar de Paz Eterna. Seria apenas a Cidade Amuralhada dos Salvos Presunçosos. Uma Nova Jerusalém Religiosa não seria Nova, seria apenas o Velho Inferno. Nesse caso, não precisaríamos esperar para chegar lá. Bastava que todos nós nos uníssemos e mudássemos para a Jerusalém Terrestre. Não! Nada disso! Basta ficarmos Aqui. Basta continuarmos a ser esses robôs religiosos. O Inferno é profundamente religioso... Diabo é Divisão! Quem tem Religião tem o que? União ou divisão? No Oriente Médio é onde superabundam as Religiões. As guerras também. E todos se dizem filhos de “Abraão”. Jesus disse que os que guerreiam em nome da genealogia religiosa são “filhos do diabo” (João 8). Paulo disse que a Jerusalém Terrestre—essa dos jornais—é a Cidade da Escravidão. Gálatas Quatro! Todos os seus filhos—filhos da Religião; filhos de Hagar, gerados na escravidão religiosa—, são os que dividem o mundo e a humanidade, em nome de “Deus”. Quanto mais Religião, mais guerras haverá. Religião deveria ser Re-ligação... É sempre assim: usa-se o termo apenas para iludir os propósitos do coração. Nesse caso, o que prevalece é o desejo de “separação”. Se Religião fosse algo bom, a Nova Jerusalém teria o Templo Maior. Lá, todavia, a Vida acontecerá ao Ar Livre. Sua Luz é o Cordeiro. Heresia é pensar diferente. Quem não concordar comigo, fique à vontade. Mas não diga que não é exatamente isso que a Palavra diz que será o futuro quando a Redenção Total se manifestar. Maranata! Vem Jesus!...
AMARGURA: um “espírito” de falsificação da realidade!
AMARGURA: um “espírito” de falsificação da realidade!Nada falsifica mais a realidade e a comunicação do que a amargura. Quando ela se instala, pela via das machucaduras, das traições, das frustrações, das repetições desagradáveis, ou das muitas acusações recíprocas — nada mais continua a existir objetivamente na visão e na comunicação entre duas pessoas. É assim até mesmo entre pessoas que se amam, mas que se feriram de alguma maneira. Na maioria das vezes alguém feriu alguém, e o ferido se magoa profundamente — dependendo do fato, se magoa até a morte —; e se decide continuar a relação porque vê amor naquele que o magoou (embora lhe tenha sido infiel ou desleal, ou estranho), geralmente não consegue ir adiante sem expor sua dor; a qual, quase sempre, no início vem carregada de acusação, mesmo quando não acusa intencionalmente. Entretanto, como o objeto em questão, é o próprio ouvinte-arrependido, ele acaba por se sentir sempre acusado outra vez. Com o passar do tempo, aquele que feriu a quem ama, também já está ferido e magoado de um outro modo. Ainda que ele (a) saiba que não tem direito de estar. Mas fica assim mesmo. No caso dele tudo começa com a tristeza imensa de ter magoado a quem ama. Depois, a pessoa começa a desejar se sentir diferente de “si mesma” no que tange ao “si mesmo” que provocou a mágoa no outro. Entretanto, como a dor do ofendido e magoado continua naturalmente presente; muitas vezes apesar de já haver perdão (a dor é outra coisa) —; com passar do tempo aquilo que aos ouvidos do ofensor era culpa, começa a soar como acusação sem fim, mesmo quando é apenas a confissão da tristeza pelo que aconteceu. Nesse ponto o ofensor passar a se irritar e a acusar o outro de não parar de acusá-lo e de vê-lo de modo ruim... Então, instala-se no coração do ofensor uma predisposição a ouvir tudo com tom de acusação. Ora, quando se chega a esse ponto da “viagem”, o sentido de objetividade já entrou em estado de falência; e todos os poderes da subjetividade se tornam os senhores do olhar, do sentir; e, pior, do interpretar. Daqui para frente somente uma intervenção da Graça de Deus os ajudará a sair desse Labirinto de Dês-comunicação! Sim, uma intervenção que gere consciência nos implicados e também lhes revele a existência desse Monstro Invisível. E mais: que lhes ilumine e revele que de fato tal “ente” que “penetrou” o processo mental e de comunicação deles, é inexistente; posto que somente “existe” como emoção machucada, a qual falsifica tudo; fazendo com que carinhos sejam sentidos como ofensa; fazendo com que tentativas de comunicar, se tornem discussões inexplicáveis; e também fazendo com que toda expressão que não seja clara e objetivamente comunicada como boa, seja sentida pelo outro como uma incógnita ruim; sempre ruim; e sempre contra aquele que ouve e interpreta — ainda que de fato o outro não tenha intentado nada de mal contra aquele que assim ouviu e sentiu. É aqui que duas pessoas que se amam e não mais conseguem se entender, perguntam-se: o que está acontecendo com a gente? Na realidade, nada está acontecendo, embora tudo pareça acontecer! Afinal, objetivamente, o que tinha de acontecer, já aconteceu. E, supostamente, já está resolvido. Porém, o processo de retro-alimentação relacional (em razão das dores e das machucaduras da alma do ofendido, e em razão da culpa e da vergonha do ofensor), torna-se cada vez mais destrutivo para as emoções dos implicados; e, consequentemente, passa a ser o produtor de boicote na comunicação. O que fazer? A primeira coisa é entender o processo, conforme simplificadamente exposto acima. A segunda é colocá-lo em seu lugar: na memória doída, mas que não tem que existir como acusação nem na boca de quem sente a dor, e nem nos ouvidos de quem a provocou. A terceira é voltarem a crer um no outro, sem interpretações e sem analises. A quarta é darem objetividade e clareza a cada palavra ou declaração, não somente em relação um ao outro, mas também em relação a tudo; até que a objetividade volte a prevalecer sobre a subjetividade das interpretações adoecidas pela mágoa. A quinta é não conversar num mundo paralelo, jamais; mesmo que seja em quase silencio ou em silencio; pois para o outro isso pode significar outra coisa; qualquer coisa. A sexta é coragem de olhar nos olhos do outro, todos os dias, e relembrá-lo de quem ambos são um para o outro. Sim, afirmarem-se mutuamente como pessoas que se amam, apesar de machucadas. A sétima é não deixar nada aberto, sem definição. Ou seja: não deixar o sol se por sobre nenhuma ira ou mágoa não falada. Mas isto apenas no caso de coisas que não possam ser resolvidas sem uma “conferência” entre ambos. A oitava é crer que quem se ama, pode se machucar, mas que o amor tem que ser maior que qualquer dor, quando dois decidiram continuar juntos. A nona é saber que a tendência de um processo desse tipo, é fabricar algo que não é nada, mas que se faz cheio de tudo o que não existe ou não lhe pertence; e, que, portanto, pode se munir de tudo contra ambos; ou um contra o outro. Aqui o diabo e o inferno são os limites; posto que agora, em tal caso, reina a acusação. A décima é se perdoarem todos os dias; e também perdoarem-se por qualquer que seja a recaída no processo de retro-alimentação da amargura, e que tenha voltado a crescer em razão das “interpretações” que se tornam falsas realidades; mas que têm o poder de matar o que é real e verdadeiro. Por isto, não se pode deixar isto crescer jamais. O escritor de Hebreus disse que uma raiz de amargura, entrando em alguém, pode contaminar a muitos, a todo um grupo. Ora, se a amargura tem esse poder em relação a uma “congregação”, quão maior não é o seu poder de contaminação entre duas pessoas? Ou entre um casal? Ou nas entranhas de uma família? Assim, eu oro: Senhor! Dá-nos Tua luz, para que nela sempre vejamos o que é real, sendo assim salvos das miragens do Engano e do Enganador! Senhor! Ajuda-nos a viver o que é real! Senhor! Que o amor sempre vença todas as falsificações! Nele, que é a Verdade,....
SALVAÇÃO DOS TALENTOS E DOS DONS ESPIRITUAIS

SALVAÇÃO DOS TALENTOS E DOS DONS ESPIRITUAIS Quando alguém é contratado para trabalhar numa fábrica de perfumes, dá-se a tal indivíduo, no início, a liberdade para testar todas as fragrâncias, pois pode ser que assim ele se torne apenas um profissional, e não mais um potencial ladrão do que mais ama: aromas.O mesmo se faz com alguém contratado por uma fábrica de chocolate para trabalhar na linha de produção. É-lhe permitido comer de tudo o que quiser até que perca a vontade.Os dois exemplos bem ilustram qual é o caminho que uma pessoa cheia de desejos talentosos e talentos desejosos precisa percorrer na vida para que se veja livre de seus próprios inebriamentos pessoais, a fim de se tornar um homem do espírito, não da própria vaidade de fazer bem o que ama e de amar muito o que faz bem. Quando comecei a pregar o fazia não só por paixão, mas também pelo prazer de meu próprio talento na arte de comunicar. Então Deus me deu uma overdose do que eu mais gostava e deixou-me livre para provar de tudo até que eu mesmo fiquei insatisfeito.Foi apenas quinze anos após começar a pregar com intensidade que fui percebendo que já não o fazia pela alegria de sentir também meu próprio talento em uso.Dois anos na Califórnia, no final da década de 80, me serviram como ponto divisor entre a paixão pela pregação e a alegria de meu próprio talento pessoal. Foi naquele período que a paixão do dom venceu o desejo do talento como expressão de arte.Depois houve mais uma década. Nos anos 90 experimentei outra coisa: a própria paixão pela pregação deu lugar a um grande cansaço, e surgiu em mim uma profunda vontade de silenciar, se eu pudesse.Catástrofes aconteceram. Fiquei três anos em silêncio para fora e cheio de gritos feitos de gemidos para dentro. Era mais uma etapa no processo de criar desgosto até pela pregação a fim de que ela deixasse de ser também paixão e se tornasse uma expressão apenas do espírito, não mais de minha alma.Isso é assim como preparação para o dia em que você é posto de lado, pois sou apenas um instrumento, e como tal um dia serei substituído por outros ou forçado a aposentar-me pela fraqueza ou pela velhice ou pela morte. E quando este dia chegar, fico feliz que já tenha ficado livre de qualquer gosto pela coisa-em-si antes mesmo que ela deixe de ser um fato para mim.Por isso, a cada dia, menos paixão de alma preciso para abrir a Palavra, pois mais lucidez de espírito me acomete como resultado da libertação da pregação como desejo, paixão e talento humano.A cada dia que passa minha liberdade na Palavra cresce, e cresce na mesma medida em que minha alma não depende das emulações que advinham de meu prazer na perfumaria da pregação e do gosto de chocolate da arte de comunicar.Assim, livre de toda a tentação da própria pregação, sinto-me a cada dia mais livre no meu espírito para ser apenas da Palavra e do Vento.A fim de fazer a vontade de Deus no espírito, e não conforme os desejos da alma —por mais nobres que sejam tais desejos—, você tem que saber que o servo inútil é aquele que faz apenas tudo.A utilidade do servo começa quando ele sabe que fazer tudo da melhor forma, e com toda arte e beleza, ainda é coisa de quem faz para si mesmo.Daí, somente uma grande intoxicação de pregação salva o indivíduo da pregação como perfume, chocolate e paixão pessoal e põe a pessoa no caminho no qual a pregação já não carrega autogratificação, mas consciência no espírito. Nesse dia o pregador se torna apenas um mensageiro, e a pregação se torna vento, e o vento leva a Palavra como espírito, e o coração já nem sente que aquilo tem alguma coisa a ver com ele.A salvação do talento de um mensageiro de Deus é transformar-se em espírito ao invés de existir como pulsão de alma.A alma quer gratificação. O espírito se compraz em ser-vir, sem pensar que o faz, e muito menos que é alguma coisa.
A NOVA ERA É FUNDAMENTALISTA
A NOVA ERA É FUNDAMENTALISTA Estamos no meio de uma guerra de Fundamentalistas. Desde antes do início da Guerra no Iraque que venho dizendo que Bush e Bin Laden acabariam por ser vistos como irmãos. Hoje pouca gente duvida que eles sejam animados pelo mesmo espírito. Trata-se de um espírito, de uma era, de um aion. É a Era da Irmandade do Ódio. Eles andam conforme o mesmo espírito, e a prova disso é o que lhes é comum: o ódio movido pelo amor à causa da crença fundamental. O Fundamentalismo de hoje não tem em Abel e Caim o seu arquétipo. Ao contrário, trata-se da manifestação do encontro outrora evitado entre Lameque, o mau, e Caim, o homicida. Eles se odeiam, mas são irmãos. Afinal, irmãos também se odeiam especialmente aqueles que têm nas veias o mesmo sangue da certeza de suas próprias certezas amarguradas—e que é sempre um oráculo para os outros. Fundamentalismo é fundamentalismo. Por isso gera sempre o mesmo produto: ódio, protesto raivoso, tentativa de fazer a convicção pessoal ser a lei universal, e a inclinação essencial para engolir camelos e coar mosquitos, conforme disse Jesus dos fariseus. Todo Fundamentalismo é fruto do surto humano no que tange ao significado do seu próprio ego e acerca da pouca ou nenhuma importância acerca do significado de qualquer outro ser que não exista conforme o conjunto de crenças do “Fundamento”. Quando o Fundamentalista diz “Eu sou”, implicitamente, ele também está dizendo: “Só têm direito a ‘ser’ os que se parecem com meu grupo. Fora de ‘nossa’ semelhança não há salvação”. Fundamentalismo é a heresia que prevaleceu. Assim como a Ortodoxia, o Fundamentalismo é a doutrina que deu a si mesma, pelo poder, a alcunha de “caminho reto”. Fundamentalista é todo aquele que faz de sua cultura e da cultura de um tempo—ou de um líder—uma lei para o mundo. O Fundamentalismo é a tentativa de absolutização e de cristalização de um passado, e que deve ser norma para todos os presentes e futuros. Todo Fundamentalista chama de “fundamento” aquilo que é periférico e de periférico aquilo que de fato é fundamental. A ética de juízo do Fundamentalista para os outros é a Ética da Importância dos Mosquitos. E ele só conhece tolerância para si mesmo, ou para aqueles que ele considera “próximo” e “semelhante”. Para esses, a ética Fundamentalista é outra. É a Ética da Insignificância de Todo Camelo. O mosquito dos outros é intolerável para ele, e o camelo dele tem que ser leve e inexistente para todos! O Fundamentalista acredita que ele é o salvador do mundo. Acredita que sem ele Deus está perdido. Acredita que a verdade é a sua própria visão da vida (ele sempre diz que essa visão é em “fidelidade” a alguma coisa superior). Fundamentalista é todo aquele que está disposto a matar em nome de Deus—ou de alguma outra coisa que seja “o deus” absolutizador da sua visão da existência. O Fundamentalista não aceita nenhuma forma de liberdade para crer—somente a dele—; e não celebra a Liberdade como liberdade, mas como “oportunidade” para fazer impor a sua crença. Sim, como o Fundamentalista é aquele que entregou a razão a “algo maior”, mas que ele, o fanático, crê ter entendido por inteiro, ele odeia a todo aquele que exerce o seu próprio livre arbítrio, pois ele mesmo não o possuiu. Por isto, quando ele tem “liberdade”, ele sempre que proibir a dos outros. O Fundamentalista é aquele que nunca descobriu nada de si mesmo, mas vive odiosa e apavoradamente para fazer cumprir o que lhe foi ensinado. O ser que assim precede se faz ovelha do Pastor Ódio! Para o Fundamentalista o único livre arbítrio que existe é o dele, e o de todo aquele que com ele concorda. Todos os demais estão errados, por isso, devem ser “dirigidos para o bem”, ainda que seja à força. O Fundamentalista é aquele que ao invés de dizer: “Eu creio”—e, assim, viver conforme a sua fé—; diz: “Quem não crê como eu é inimigo de Deus”—e, assim, ataca ao diferente. O Fundamentalista odeia a liberdade. Ele odeia ver que outros vêem ou que sabem por si mesmos. Ele quer ser guia de cegos, mesmo que para isso ele mesmo tenha que perder a vista. Liderar é mais importante do que ver. O Fundamentalista é duro! Ele é tão duro quanto forte for a sua crença. Pois sua crença será sempre dura para todo e qualquer que diga que não deseja viver por ela. Para ser um bom Fundamentalista o sujeito tem que ser sem misericórdia. Ou melhor: ele tem que ter misericórdia apenas dos seus aliados, enquanto forem aliados; e precisa, em nome da ortodoxia, odiar e repudiar a todo aquele crer diferente. O Fundamentalismo ainda vai acabar com a Terra. Autodestruição é sempre uma batalha entre Fundamentalistas! A maior alegria de todos os Fundamentalistas será quando a Terra for toda cheia de clones deles, ou, não sendo assim, quando o mundo acabar porque eles lutaram até ao Fim.
A GRAÇA QUE INCLUI GENTE E QUE EXCLUI PECADO E DOENÇA
Para a maioria dos leitores do Novo Testamento parece meio estranho, por exemplo, que Paulo seja tão enfático acerca de tudo o que “já está feito”, fazendo cabais afirmações sobre este fato, inclusive por meio do fato afirmando a morte da Lei na Cruz. Isto é, a morte de toda a Lei, tanto o Décalogo como meio de salvação como também todas as demais leis de natureza cerimonial, visto que na Cruz Jesus levou a Lei da Morte para seu próprio lugar — a morte — e ressuscitou para que “sem lei” fossêmos justificados mediante a fé que se fundamenta da Rocha dos Séculos e na Pedra de Esquina que os “construtores rejeitaram”: Jesus.NEle temos “redenção, santificação, unção e poder” para viver conforme o chamado do Evangelho. E tal poder só se instala em nós pela “fé que atua pelo amor”, tendo no discernimento da Graça de Deus em nosso favor a sua força motriz e sua potência capaz de nos pôr eretos na vida. Assim, vamos com os pés no chão do caminho do arrependimento, que já não vai de culpa em culpa, mas de entendimento em entendimento, produzindo não a eterna-angústia dos “penitentes”, mas a alegria dos que, pela “renovação da mente”, provam a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.Em Efésios, por exemplo, tais garantias estão postas e nos são dadas como fato-feito-e-consumado, selado pelo penhor do Espírito em nós, até o dia do nosso resgate, quando entraremos em toda plenitude de tudo o que de pleno seja possível para a finitude feita eterna até o Possível-do-Pleno no que não é infinito: nós em glória.Entretanto, apesar de tudo isso, ainda em Efésios (4 e 5), Paulo adverte os discípulos quanto ao fato de que a nova vida em Cristo deve gerar o Novo Homem, que é um ser para além dos preconceitos, que são o modo de pensar conforme o adoecimento do curso deste mundo. Afinal, em Cristo não há mais homem e nem mulher, nem senhores e nem servos, nem gente puro-sangue e nem vira-latas...Todavia, para o apóstolo, essa Graça-inclusiva gera um amor-paixão-exclusivo por Deus, e produz em nós um casamento de plenitude de ser com o todo do Evangelho, e, sobretudo, uma ligação tão visceral com Jesus que, sem Ele, nada podemos fazer. No entanto, nem por isso Paulo deixa de nos chamar para o exercício simples e prático de um novo modo de viver, do qual, diz ele, devem ficar fora a ira que dorme sobre a amargura, o roubo de qualquer que seja a natureza, a mentira e o engano em relação a si mesmo e ao próximo, as gritarias, a chocarrices, as bebedeiras descontroladas, as invejas, os ciúmes infundados, o desejo de supremacia, as facções, os partidarismos, os ódios, a maledicência e a sutil aprovação das obras das trevas, as quais, mesmo não sendo praticadas, podem ser aprovadas mediante nossa leveza de ser em relação a elas, quando dizemos: “Eu não faço, mas adoro ver quem faz... É engraçado!”Assim, sem a vivência simples e prática do Evangelho como comportamento, o homem está salvo — “como que através do fogo” —, mas sem conhecer o benefício do Evangelho em sua vida e na dos outros. Sem falar que ele jamais provará a paz que excede todo entendimento, visto que ela só se instala em nós quando o coração que crê também descansa no amor de Deus, e, por tal descanso-entrega, prova o fruto do Espírito em sua existência, não como comportamento performático e nem como “bom testemunho” de aparências, mas como fruto natural e existencial de ser-estar-em-Cristo. Por essa razão Paulo diz: “... não haja entre vós...”... “...nem sequer se nomeie entre vós...”... “longe de vós...”... “... não aproveis as obras das trevas...” ... “... para que aproveis as coisas excelentes...” ... etc... E a isso tudo, em contextos diferentes, ele associa um exercício que pode ajudar a mente a romper com o padrão dos vícios antigos, do velho homem e de seus antivalores e direitos perversos, estimulando uma nova maneira de pensar. Sim, ele nos remete para as coisas lá do alto, e não para as que são daqui de baixo, chamando-nos, assim, para pensar em tudo o que é positivo, de boa fama, no que carrega louvor, e em tudo aquilo que quebra o ciclo das inimizades perversas e à revelia que nascem em nós, ou das antipatias gratuítas, ou mesmo das amarguras que não se querem curar em razão do orgulho ou das mágoas. Só depois disso é que ele diz que “a paz de Cristo que excede a todo entendimento encherá nossas mentes e corações”. Assim, o Evangelho que nos inclui em Cristo é o mesmo que de nós exclui, também em Cristo, tudo aquilo que não é conforme o Espírito de Cristo. Ora, tudo aquilo que é de acordo com Jesus leva a marca do amor, da alegria, da paz, da bondade, da benignidade, da mansidão e do domínio próprio. Embora tudo isso aconteça num processo contínuo... se não nos desviarmos da senda do amor, conforme a Graça.NEle,...
A HISTORINHA DE NOSSAS Estórias...

A HISTORINHA DE NOSSAS Estórias...
Leia até ao final! Ou... seja um "crente": não leia e não goste! ___________________________________________________________ Alguém fica querendo saber como é ser salvo. Então lhe dizem que isto significa aceitar certas doutrinas, freqüentar um determinado lugar, e sustentar financeiramente os líderes do lugar e o lugar em si. Além disso, se diz que se espera que a pessoa se comporte de uma certa forma; de tal modo que, se possível, mesmo sendo olhada a distancia, a pessoa já seja identificada como crente. Pois, diz-se que assim, tanto ela se protege dos ataques do mal, quanto também já chega mostrando a "espada", e mostrando que veio para pelejar. Sem dúvida que parte importante da instrução é manter-se em constante estado de vigilância nervosa, sempre esperando um ataque súbito do Inimigo de Deus, um ser onipresente, quase onipotente, e malignamente semi-onisciente; sem falar que pode-se também ser perseguido por sermos diferentes, e por tentarmos fazer todos os outros se tornarem como nós. E a perseguição pode vir de fora, dos mundos dos homens; ou do alto e do invisível: dos dominadores do mundo, os espíritos do mal. Mas nunca de dentro do ser. Nesse processo, a pessoa começa meio aflita e muito grata por ter sido aceita, uma vez que ela própria aceitou. Depois ela passa a ficar muito angustiada com o pecado e o diabo. Então, surge o apavorado desejo de ficar forte e de ser alguém para Deus neste mundo. Uma pessoa importante de Deus na Terra. Que belo objetivo, nem sempre com a melhor motivação! Neste ponto há algumas avenidas para escolher fazer residência: a Rua do Fanatismo, a Avenida da Lei, o Beco Faz de Conta Que é, e a Praça Sou Melhor Que Todo Mundo. Então o indivíduo tem que escolher. A maioria fica Fanaticamente na Lei, dizendo que é Melhor Que Todo Mundo, enquanto nenhum deles perde a boca do Beco Faz de Conta que é. Então, conforme as preferências de cada um, e conforme o mover ou a necessidade, espera-se que a pessoa se dedique ao seu lugar, e que demonstre a verdade de sua fé pela conduta mais rigorosa. Sempre espelhando o modelo local de clonagem: o pastor, ou bispo, ou até apóstolo. Em outros lugares o modelo é alguém que fundou o grupo no passado. O nome de Jesus abençoa isso tudo! Na realidade o que se espera do homem, conforme a religião, é que ele seja melhor que todo mundo, conforme o critério de aferição da religião; e que seja um ativo participante no processo de impressionar até a Deus, mostrando que seu comportamento é melhor do que o de todos os homens, de qualquer lugar do planeta; e que nossa freqüência na casa de Deus, e nosso dinheiro entregue a Deus através de Seus Representantes Autorizados, bem demonstram o tamanho de nosso amor por Ele. Também se espera que ele, o crente, não importando em que avenida ele caminhe, seja, de qualquer modo, todos absolutamente iguais, e diferentes de todos os que são “diferentes”, os do mundo; e que também lute, com todas as forças, para que o seu grupo cresça, de tal modo que se possa obter poder de mudar a própria lei dos homens, de tal modo que todos sejam obrigados a se comportar como os crentes, pois somente eles se comportam segundo as leis de Deus. Em muitos outros crentes, todavia, surge o desejo de recuperar o sentido de ser crente original. Então eles se dedicam a estudar como eram os crentes de antigamente, como viveram, como se comportaram, o que disseram sobre Deus, e o que devemos aprender com eles. E, neste processo, dá-se algo muito interessante. Quanto mais antiga for a opinião da pessoa venerada, mais autoridade ela terá. E, também, quanto mais o tal santo puder demonstrar pela lógica ou pelos resultados a sua crença, mais certa sua fé será. Além disso, existem também aqueles poucos homens que tiveram papeis históricos importantes, e que, por essa razão, tudo o que disseram foi ficando cada vez mais divino, quanto mais velho e antigo foi se tornando. E como o crente, de modo estranhamente moral, está sempre se sentindo endividado com seu próprio passado, está sempre achando também que todo bem ficou em algum lugar no passado. Crente é ensinado a ter medo de Deus, a venerar os homens bíblicos, a adorar a Jesus, a escolher o seu santo apóstolo, a cultuar a Bíblia, a se conformar com a igreja, a odiar o mundo, e a aceitar que os pregadores são sempre a boca de Deus. Crente é aquele que é amado pelo seu bom comportamento num mundo que Deus odeia. Crente é aquele que pensa que se não fosse por ele o mundo já teria há muito acabado. Sim, crente crê que a igreja governaria muito bem o mundo, pois ele, o crente, é o melhor homem da terra, pelo menos é o único que sabe a verdade. Crente crê que a verdade pode ser sabida. Acredita que ela cabe numa doutrina. E que é validada pela História dos Crentes. Crente crê no Espírito Santo como sendo aquele que o arrepia na conversão, que pode ilumina-lo quando ele lê a Bíblia, e que sempre ilumina o pregador. E crê que na hora do culto, se todo mundo se concentrar e orar, o Espírito Santo atua. Se não se concentrar, Ele não atua. E, no mundo, Ele não faz nada, pois quem manda lá é o Diabo. Assim, crente crê que o Espírito Santo depende dele para agir no mundo. Então, transforma o arrepio em mandato divino, e vai às ruas exortando o mundo, dizendo que se arrependa, e que se torne como o Crente. Apesar disso, por um mecanismo completamente desconhecido, crente é também aquele que diz que a igreja governaria muito bem o mundo, enquanto, nela própria, o que reina é o desgoverno, o ódio, a inveja, a porfia, o disfarce, a intriga, o julgamento, a vaidade, as fogueiras de ego, o marketing, a auto-promoção, o testemunho como venda de superioridade espiritual, e, portanto, de ajuda financeira. Sem falar nas mais sórdidas manipulações, e nos interesses mais baixos, e nas intenções mais narcisistas que se possam conceber. Mas como eu disse, por um mecanismo completamente desconhecido, o crente acredita que isso só acontece na igreja por causa do diabo, mas que, governando o mundo, sem explicar o por quê, os crentes seriam bem melhores. Crente tem o dom de não se enxergar, enquanto diz que vê todo mundo, e sabe discernir tudo muito bem, é só ter uma oportunidade de mandar, e haver “outros” para obedecerem. Crente diz amar a verdade, mas não a suporta. Por isto ele prefere uma boa imagem de crente do que a verdade. Por isto também ele pune a verdade quando confessada, e não considera verdade tudo aquilo que não for nem confessado e nem flagrado. A verdade, para o crente, tem que ficar no lugar dela: presa na Bíblia. Assim, com o processo de amadurecimento, o crente acaba virando um grande malandro vestido de bobo! Enquanto isto, chocado, um grupo imenso assiste a si mesmo. Esses são os Lúcidos e Sensíveis. O drama deles é o seguinte: eles não sabem como ser quem gostariam de ser, e, ainda assim, serem crentes. E por que? É que para eles parece não haver modo possível de agradar a Deus e ser de Deus, se não for nos ambientes de uma das Concessionárias Autorizadas do divino na Terra. Eles odeiam isto, mas não conseguem se livrar. Então, eles ficam dizendo que estão cansados, que não agüentam mais, que tentaram tudo, que se esforçaram, que já não agüentam mais, que está insuportável, que é inconcebível, que é preciso fazer um Congresso, um Encontro, uma Conferência para debater o assunto, e, então, se escrever um Documento, um Protesto, uma Proposta, qualquer coisa, desde que se registre que eles não querem aquilo. Então, para poderem atingir a todos os que precisam ser atingidos, eles convidam todos os Representantes Autorizados—carentes de ajuda, pois estão loucos!—; e, também, a fim de dar Legitimidade ao Evento, eles nomeiam alguns Representantes Autorizados para falar—os mais educados!—; pois crêem que assim estarão respeitando a História, enquanto, dignamente, constroem com as próprias mãos o presente. Acabam aos beijos. Se abraçam. Voltam para casa. E tudo fica igual. E, assim, eles se renovam em suas esperanças... E, assim, é o caminho dos crentes como discípulos... Culpados seguem suas próprias culpas; aflitos pregam suas próprias aflições; gananciosos seguem suas próprias ambições; e, sem alma, seguem para salvar a alma do mundo. Desta forma nos contaria a nossa história, de um modo resumido, um observador de “fora”. É assim que a igreja é vista. No geral, é assim que ela é. Se eu não puder tirar a trave primeiro de meu olho, como poderei ajudar o meu irmão com seu pequeno cisco? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho; então poderás tirar o cisco do olho de teu irmão!—disse Aquele cujo nome é abusado, e cuja Verdade é insuportável.
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