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terça-feira, 2 de julho de 2013

OUSADO EM SERVIR AO SENHOR

E exaltou-se o seu coração em seguir os caminhos do SENHOR e ainda tirou os altos e os bosques de Judá.2 Crônicas 17.6

Logo que Josafá assumiu o reino de Judá, tratou de fortificar o seu país contra os revoltosos que mantiveram o nome de Israel. Isso nos ensina a fortalecer os nossos pontos fracos e fortes, a fim de não cairmos em tentações. Ele colocou guarnições nas cidades que seu pai havia tomado, pois não queria perder nada. A Bíblia nos manda guardar o que temos para que ninguém tome a nossa coroa (Ap 3.11).Josafá começou a procurar o Deus de seus pais e andar nos Seus mandamentos. Ele não buscou a feitiçaria, como faziam os habitantes de Israel. O resultado não podia ser outro: o Senhor foi com ele. De que mais precisava esse governante? Ora, se você tiver o Onipotente do seu lado, ainda que haja partes fracas em sua vida, a tentação não irá vencê-lo. Os que forem fracos de saúde ou lentos para tomar decisões e resistir ao tentador devem fortificar-se em tudo.Josafá viu que o Altíssimo havia confirmado o reino em suas mãos. Então, todo o povo de Judá levou-lhe presentes, acrescentando-lhe riquezas e glória em abundância. Busque, você também, essa experiência, pois fomos feitos para o nosso Deus como reis e sacerdotes (Ap 1.6; 5.10). Se o reino não for confirmado, haverá ataques do adversário, tanto no interior como no exterior; porém, quem tiver o reino confirmado receberá pleno domínio sobre o que lhe pertence.Ao ver o seu governo estabelecido pelo Altíssimo, ao contrário de muita gente que O abandona quando as coisas vão bem, Josafá se tornou ousado em seguir o Senhor. Isso impressionou o escritor sagrado; afinal, que palavras mais bonitas poderiam ter sido usadas para definir a fé que aquele homem de bem possuía? Deus tem procurado esse tipo de filho que fará o mesmo em nossos dias, para o qual não haverá limites.Quando a fé vai bem, os sonhos voltam a aparecer, as determinações se cumprem, e todos se beneficiam. O rei providenciou mestres para irem a todas as cidades ensinar a Lei do Senhor, os quais levavam consigo o Livro Santo. Se não tiver o Livro de Deus, você não conseguirá transmitir a verdade aos seus e, com isso, não irá levá-los a ser pessoas de bem. Isso porque é a Palavra que desperta, dá vitória e impede a degeneração das virtudes.O resultado foi que o temor do Senhor veio a todos os reinos que havia ao derredor. O mesmo precisa acontecer com a sua pessoa. Nenhum daqueles reinos fez guerras contra Josafá, e até os arábios e os filisteus, eternos inimigos do povo do Senhor, levavam-lhe presentes como tributos. Além disso, só havia boas notícias para ele, que se engrandeceu em extremo e edificou fortalezas e cidades-armazéns em Judá.

DEUS TRABALHA PARA VOCÊ

Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera. Isaías 64.4

O Senhor, nosso Deus, que criou todas as coisas do nada, tem um prazer enorme em trabalhar para nós. Ele nos fez à Sua imagem e semelhança; logo, dá para entender que o sonho do Seu coração era muito grande e lindo. Ao nos fazer semelhantes, o Altíssimo tinha em mente criar alguém especial. Foi assim que fomos feitos, mas o pecado de Adão nos causou o maior prejuízo.O versículo que estamos estudando hoje fala que o Pai trabalha para aquele que nEle espera. Que bom saber disso, pois essa informação nos dá conta de que Ele não desistiu dos Seus sonhos e que, quando o processo tiver acabado, os que nEle esperam haverão de ser, para sempre, o que Ele havia determinado. É só uma questão de tempo, o qual passará. Então, chegará o dia em que teremos a obra completa.Todo aquele que foi iluminado com a divina Palavra precisa resistir às tentações. É claro que, se cairmos, mas confessarmos os pecados, seremos perdoados (1 Jo 2.1,2).Porém, que diferença haverá entre aqueles que caíram e os que se mantiveram santos? Será que ambos desfrutarão da mesma posição e terão a mesma recompensa? Na parábola dos trabalhadores da vinha, aqueles que trabalharam só uma hora receberam a mesma quantia dos que serviram o dia todo (Mt 20.1-16). Isso se aplica nesse contexto?Seremos recompensados pelo que fizemos em relação aos mandamentos divinos? Na verdade, ainda não tive luz suficiente nas Escrituras para explicar isso, mas a declaração de Isaías me faz pensar. Ele disse: Não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu. Para mim, Deus menciona que todos ouvem com o ouvido natural, mas alguns percebem com os ouvidos do coração. Sendo assim, a recompensa dos salvos será igual?Jesus falou em administração de cidades e disse que a quem muito foi dado muito mais será pedido (Lc 19.11-19). Além disso, confirmou que há quem irá sentar-se à Sua direita e à Sua esquerda (Mt 20.23; Mc 10.40). Eu penso que o fato de Deus estar trabalhando para os que nEle esperam mostra que o obediente terá uma recompensa maior. Daniel afirmou que os sábios resplandecerão com o fulgor do firmamento, e os que a muitos ensinarem a justiça, como as estrelas (Dn 12.3).Ora, sabemos que as estrelas diferem em brilho umas das outras. Portanto, que cada um se esforce ao máximo para cumprir a sua missão. Após a nossa entrada na eternidade, de nada adiantará suplicar para que algo aconteça de melhor conosco. Observe bem o fato de o Senhor estar trabalhando em favor daquele que nEle espera. O que você diz disso? Que tipo de obra Ele está fazendo por você esperar nEle? Que Ele lhe dê o entendimento.

RETRATO DOS ÚLTIMOS DIAS

Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão. Daniel 12.10

A corrida por boas coisas, conforto, riqueza e outras ambições está desenfreada. Todos querem melhorar, mas, pelo que se ouve e se conhece, muitos não respeitam limites. O prazer tornou-se o alvo que as pessoas procuram atingir, não importando o preço – material ou espiritual – a ser pago. A humanidade entrou decidida nessa luta; porém, não há quem acorde para anunciar que, em breve, este mundo terá fim.É o combate das forças do bem contra as do mal. Nunca se viu tanta prosperidade, tanta profusão de ideias, como as que estamos contemplando. O profeta Daniel declarou que um dos sinais de que isso estaria perto de ocorrer seria, nos últimos dias, a multiplicação da ciência (Dn 12.4) – o que já tem ocorrido em nossa geração. Outro sinal diz respeito à questão espiritual: muitos serão purificados. Temos visto a Palavra do Senhor sendo revelada como nunca.Isso é obra do Espírito de Deus. A maioria não entende que essa parte é a melhor. O próprio Senhor está santificando Seu povo, tirando as doutrinas do homem e fazendo-o enxergar a Verdade. Dentro das melhores igrejas, há pessoas perdendo-se nas músicas, em choros e no que consideram ser a glória de Deus, mas tudo isso é pura emoção. O trabalho é mais sério do que esses shows de dons humanos. O Senhor está embranquecendo aqueles que O amam.Se você já passou por uma série de tentações, mas não caiu, alegre-se, pois estava sendo provado. O bom é que Deus não o deixou cair! Os que caíram devem buscar o perdão. Todos devem ficar alerta, pois a obra ainda não terminou, e, bem mais cedo do que pensam, podem vir novos testes. O certo é orar para ser ajudado no tempo das provas. O Senhor sabe por que permite que isso ocorra.Os ímpios vão de mal a pior, pois o que lhes interessa é satisfazer seus desejos carnais. Se, para eles, houver “pão e circo” – alimento e diversão –, tudo bem. Ora, bom é ficar longe deles, das suas práticas e dos seus resultados, pois, certamente, nada disso vem do Senhor! O Altíssimo está agindo para levantar um povo zeloso de boas obras; portanto, analise o tipo de atitude que você tem tomado (Tt 2.14). Somente quem tem e guarda os mandamentos está no caminho certo (Jo 14.21).Não haverá desculpas, como a de que alguém não aguentou e caiu. O Senhor já nos advertiu de que a carne é fraca e para nada aproveita (Jo 6.63). Ele nos deu Seu Espírito Santo para nos fortalecer, a fim de enfrentarmos o que vem contra a humanidade (Mc 14.38; Rm 8.26). Os ímpios caem por falta de entendimento bíblico, mas nós temos a sã doutrina, que nos manterá de pé. Veja o retrato dos últimos dias e se refugie no Senhor. De que adianta nadar, nadar e morrer na praia?

OBSERVE OS LIMITES

Os príncipes de Judá são como os que traspassam os limites; derramarei, pois, o meu furor sobre eles como água. Oseias 5.10

Aqueles que servem a Deus não devem agir como os perdidos, os quais nem se interessam em saber se há limites para suas ações. Os salvos precisam ter outro procedimento: verificar sempre se não se têm excedido no que fazem. Os mandamentos divinos nos dão limites; por isso, se os guardarmos, seremos premiados com as revelações da Palavra e protegidos contra os ataques do inimigo. Com isso, viveremos em sucesso completo.Ao nos proibir de tomar certas atitudes, que são normais e prazerosas para os ímpios, o Senhor está resguardando-nos das operações malignas que acompanham quem as pratica. Tudo o que Deus nos impede de fazer nos é vedado para o nosso próprio benefício. Os perdidos não participam da natureza divina, não são guiados pelo Espírito Santo e, por isso, sempre são atacados pelo Inferno. Já os filhos do Senhor são o prazer dEle, que os conduz em triunfo (2 Co 2.14).Os príncipes de Judá não viram problema em traspassar os limites, mas foram avisados de que seriam atormentados pelo furor de Deus. Não teria sido melhor se tivessem aceitado a limitação que o Altíssimo lhes impusera? No entanto, não quiseram saber disso; consequentemente, foram levados para a Babilônia, a fim de aprenderem a não brincar com as resoluções divinas. Se tivessem se submetido à orientação divina, não teriam sofrido tal ação da parte do Senhor.Se José no Egito – que aparentemente não tinha futuro, já que fora vendido como escravo – não tivesse permanecido firme, santo, o que teria sido dele? Ele fora cobiçado pela mulher de seu senhor e, caso tivesse ocorrido um envolvimento com ela, até poderia ter levado uma boa vida naquela casa; mas, no final, teria recebido a condenação eterna (Gn 39.7-23). Mesmo na posição de completa humilhação, preferiu honrar o Senhor, que o estava preparando para uma grande obra.Não ceda na sua posição de filho de Deus. O Senhor nunca foi mal para com ninguém. Ele sabe o que é melhor para sua vida e, por isso, permite que as provações lhe sobrevenham. Saiba que Sua graça é suficiente em qualquer situação. O segredo é não se rebelar contra a vontade divina nem aceitar as sugestões do diabo (Tg 1.2-4). Seja constante e inabalável naquilo que você já ouviu de Deus, pois Ele é fiel Cumpridor do que promete.Se não traspassar os limites que lhe foram estabelecidos, haverá derramamento da parte do Senhor sobre a sua vida, mas da Sua graça. Com isso, você verá que Ele escolheu o melhor para você ter e desfrutar; porém, era preciso passar pelas provas para que tivesse a capacidade de receber o que já lhe estava preparado. Não frustre o Altíssimo; caminhe firme em direção ao pódio, pois é lá que Ele o quer ver.

Em Cristo, com amor,

O TRISTE DESTINO DOS VAIDOSOS

Efraim está oprimido e quebrantado no juízo, porque quis andar após a vaidade. Oseias 5.11

A vaidade é o grito de um coração rebelde contra o louvor que ao Senhor é devido. O vaidoso não reconhece que o que ele é, o que tem e o que pode fazer vêm de Deus. Os demônios que levam uma pessoa a esse estágio saltam de felicidade, pois ela será oprimida e quebrantada no juízo. Então, em vez de se livrar dos problemas, ela verá o seu pleito não atendido e, além disso, sairá quebrantada da batalha.Embora Efraim tenha sido uma das tribos de Israel, muitas vezes seu nome era tomado para representar toda a nação. Os israelitas prosperaram, o que era natural, pois foram colocados na terra que manava leite e mel (Js 21.43). Mas, em vez de render glórias ao Todo-Poderoso por lhes ter concedido tantas bênçãos, eles, dominados pela ingratidão, afastaram-se do Altíssimo e entregaram-se às práticas das outras nações – o que Deus lhes havia proibido.A história tem-se repetido em todas as gerações. Não são poucas as famílias que foram alcançadas pela Palavra de Deus, mas, depois, quando havia paz, prosperidade e segurança, deixaram-se levar pela tentação de achar que isso lhes ocorreu por acaso. Muitas vezes, os pais continuaram firmes na fé, mas os filhos se desviaram por completo. Então, o diabo voltou a atacá-los com doenças, desastres e demais aflições.Por que isso acontece? Por causa da vaidade! Ora, quem se deixar levar por qualquer tentação, em qualquer setor ou nível, verá que seu ato é como esbofetear o rosto de Cristo. Jesus pagou um preço tremendo para a nossa redenção eterna e total libertação do reino maligno. No entanto, quem não vigia e não ama o Senhor como deveria volta a ser escravizado pelos sofrimentos.É preciso vigiar dentro de casa, pois os nossos adversários podem ser membros da nossa família, pessoas que, aos olhos humanos, jamais fariam mal a nós (Mt 10.36). Alguns seriam capazes até de nos doar um órgão do próprio corpo, se necessário; contudo, por não terem experimentado o novo nascimento e, ao mesmo tempo, serem religiosos ou não, eles nos dão certos conselhos que, se aceitos, fazem com que fiquemos nas mãos do diabo.Os efraimitas não vigiaram; por conta disso, a vaidade voltou a possuir o coração deles. Eles não acreditaram que, quando fossem a juízo contra seus inimigos, seriam oprimidos e quebrantados. Mas foi exatamente isso o que aconteceu. Se você permitir que a vaidade o domine, o mesmo pode ocorrer com sua vida.Muitos devem ter rido de Oseias, mas, quando os assírios os levaram em cativeiro, lembraram-se da advertência do profeta quando já era tarde, pois o julgamento havia acontecido e, assim, jamais voltaram a ser uma nação.

Em Cristo, com amor,

LbL

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Refletindo sobre aquestão do talento


Clarice Lispector disse que “vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir”. É difícil definir o talento. Alguém disse que “talento é escrever com a mão certa”. O problema é que vivemos no mundo da mentira técnica, o fazer sem ser, a profissionalização do banal, o que faz com que, como diziam os antigos, “em terra de urubu diplomado, sabiá não cante”. Tem gente escrevendo com amão errada...
Vamos refletir sobre algumas características fundamentais do talento:
Talento diferencia. Compor uma música incrível e outra não, é fruto do talento. Pintar uma tela é diferente de gerar uma obra de arte. O talento faz a distinção entre a pintura sem arte e a arte de pintar. Dois atores podem decorar as mesmas falas, mas apenas o talentoso faz aplateia se emocionar. Dois humoristas podem contar a mesma anedota, contudo, somente o talentoso é capaz de reinventar o mesmo riso.
Talento incomoda.Giovanni Papini disse que “a inveja é a sombra obrigatória de todo gênio e de toda glória”. Se você possui algum talento, prepare-se para o confronto. A mediocridade é uma enfermidade da alma que atinge muita gente. Não são poucos os que estão com os olhos irritados diante do brilho que o talento tem. Provérbios 14.30 define a inveja como “apodridão dos ossos”.
Talento atrofia. É preciso investimento. A tragédia de muitos talentosos ao longo da história foi sua acomodação. Guimarães Rosa disse que “o animal satisfeito, dorme”. É famosa a frase de Thomas Edison: “Talento é 1% inspiração e 99% transpiração”. Se não há investimento, preparação, crescimento, foco, disciplina, fatalmente haverá atrofia, retardo, perda de qualidade. Édesperdício ter talento, mas não ter vontade.
Talento exige cautela. É ferramenta. Não basta ser talentoso, é preciso ter caráter. Carisma sem caráter é mortal. A Bíblia conta a história de Sansão (Juízes 13-16), um homem talentoso, carismático, mas que não sabia dominar instintos e paixões. Ao invés de usar seu talento para livrar Israel dos filisteus, usou-o para conquistar filisteias! Focalizou o alvo enganoso. Usou aferramenta certa no trabalho errado. Foi seduzido pela cultura, feriu-se na arma que usava. Terminou sua vida fazendo palhaçadas para divertimento dos filisteus (Jz. 16.25). Talentosos também pecam.
Talento tem limite. Umtalento é resultado de uma série de fatores como genética ou treinamento, enquanto que um dom espiritual é o resultado do poder do Espírito Santo. Ébom lembrar que qualquer pessoa, cristã ou não, pode possuir um talento, mas apenas os cristãos possuem dons espirituais. Embora ambos, talentos e dons espirituais, devam ser usados para a glória de Deus e para edificação mútua, os dons espirituais possuem somente esse foco, enquanto que os talentos podem ser usados para objetivos não espirituais. Talento tem limite, enquanto os dons são potencialidades espirituais que nos capacitam a realizar obras que o talento não faz.
Até mais...

Adoração:o encontro

Em João 4, no encontro entre Jesus e a mulher samaritana, há um vislumbre da adoração que poucos observam: o componente do conflito. Jesus expõe a natureza da adoração a uma mulher obscura num poço qualquer da vida – isso se parece com o que achamos ser a adoração?
            Achismos à parte, adoração é encontro. É o Supremo que vem, com a interrogação que busca conteúdo. Eu e Deus. William Temple definiu a adoração assim: “A adoração é a submissão de toda a nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante Sua santidade, o nutrir da mente com Sua verdade, a purificação da imaginação por Sua beleza, o abrir do coração ao Seu amor e a entrega da vontade ao Seu propósito”.
A verdadeira adoração precisa estar centrada em Cristo. Em Lucas 2. 25-30, Simeão, ao apresentar Jesus no Templo, dá um brado:
“Despede teu servo em paz, pois os meus olhos já viram a tua salvação”. O que Simeão está dizendo é a base de uma teologia da adoração:
quando os meus olhos se fixarem em Jesus não precisarão ver mais nada! A visão de Jesus relativiza todas as outras coisas. Minha retina fica marcada para adorar.
Vamos refletir sobre alguns aspectos da adoração como encontro com Deus:
1. A síndrome da mulher samaritana: “Jerusalém ou Gerizim?”
Mais do que lugares, geografias demarcadas, era um jeito estabelecido de adorar – o império do tecnicismo – o reino cansado da previsibilidade blindada. A morte das surpresas. Aqui adoramos de um jeito, ali de outro. Profissionais do culto.
Muita gente ainda é escrava da adoração das geografias: certos templos, certos lugares, certos montes... Outros são escravos da judaização da igreja: só adoram se a estrela de Davi estiver tatuada na testa!
Elienai Jr. escreveu algo sobre esse texto. O escritor criou a seguinte fala, como se fosse o anseio do coração daquela mulher:
“Fala de Deus, poeta. Baldeia também o divino de outro poço, profeta. Porque tal como esta água, o que de Deus eu sei me angustia mais do que sacia. Os samaritanos falam de um que é mais Deus em nosso templo do que naquele de Jerusalém. Deus é só isso? Dos judeus ou dos samaritanos? De Jerusalém ou de Gerizim? Do templo que não me quer, ou que não me cabe? Dos homens e suas vaidades másculas e truculentas? Reinventa, poeta. Redescreve, profeta”.
A mulher samaritana não era leiga em matéria da teologia de seu povo. Ela tinha religiosidade em lugar de espiritualidade:“este é o poço do qual bebeu nosso pai Jacó”. Ela conhecia a história de seu povo, mas não o Deus de todos os povos. Ainda temos a mentalidade das fórmulas mágicas – o abracadabra gospel. O poço, a aliança ungida, a água santa, o óleo poderoso. Coisas sem Deus. Animismo gospel.
Quando a mulher samaritana soube da “água da vida” imediatamente a solicitou. Isso aponta para a motivação oculta naquela “conversão” tão rápida: a busca por uma “água mágica”, que a fizesse sumir socialmente. Uma água que a poupasse de precisar novamente buscá-la todos os dias, encontrando com as outras mulheres e seus olhares furtivos. É como muita gente que habita a periferia das igrejas.
Gente oculta no culto.
Muita gente procura viver uma adoração da fuga social, ou pior, do isolamento, da quebra da comunhão. É gente que não suporta a igreja e suas deformidades, então, isola-se na “adoração virtual”, ou na “adoração solitária”. Adoração genuína acontece na dimensão da solitude (não, solidão), mas desemboca na comunhão da igreja. A mulher sai do poço e vai dar testemunho na cidade!
2. Um texto, duas posturas
O texto fala-nos de forma extraordinária sobre a adoração. Intrigante é que está em voga a postura do adorador. Na verdade, o texto nos leva na estrada da conversão e da adoração.
Há duas posturas que devem ser evitadas:
1. Ficar aquém de Jesus: É receber a mulher sem sequer tocar em seu estilo de vida. É a adoração da acomodação a um momento, evento ou esquema religioso. O adorador de verdade sabe que é pecador, carente da graça, e precisa da cura de sua alma. Sabe que o Espírito Santo antes de consolar, confronta!
2. Ir além de Jesus: É forçar aquela mulher a se judaizar! Não vemos Jesus forçando-a a assumir uma postura judaica. Jesus não a discrimina por ser de outro povo. A adoração sara a cultura, pois não é escrava de cultura alguma. Não precisamos cantar em hebraico para que o louvor seja mais santo! Jesus a mandou de volta para a sua
cidade, e não para Israel!
A pergunta que surge imediatamente é:quall, então, é a postura do adorador? O texto também a revela: João 4. 23, 24: “os verdadeiros adoradores”. Esses são os que adoram ao Pai “em espírito e em verdade”. Note que o texto não diz que o Pai procura adoração, mas adoradores! Por quê?
Porque o Pai já tem a mais plena, linda e perfeita adoração. Isaías 6. 1-3, os Serafins estão adorando de uma maneira que nenhum de nós é capaz de alcançar. Deus não procura adoração, pois já a possui. Deus procura adorador, pois ao encontrá-lo, o Pai dá de sua adoração ao adorador e, então, ele a devolve ao Pai, e cumpre-se Romanos 11. 36:“Pois dele, por ele, e para ele são todas as coisas”.
A postura do adorador é “em espírito e em verdade”: ou seja, Deus é espírito (Jo. 4. 24), e não pode mentir (Tito 1.2) – o adorador é aquele que está mergulhado em Deus, vive para Deus, tem fome e sede de Deus e respira para a glória de Deus (At. 17. 28).
Adoração é encontro com Deus, comigo mesmo e com os outros.
Até mais...