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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Reticências da arte

Sabe aquela sensação de olhar um quadro e não entender nada? Sabe aquela sensação de assistir um filme e sentir que “ficou no ar”. A arte tem essa dimensão: a sensação do abandono, da leveza irritante. A dialética da desconstrução. Alguém disse que a arte é aquilo que nos trai.
Tenho fome de arte, da verdadeira arte – essa arte da traição. Aquela que consegue deixar uma interrogação nervosa nos delírios de consumo. Aquele que se nega a vender como produto do mercadão de banalidades. Aquela que, ao me atingir, deixa a sensação da raiva e acabo idiotamente feliz. Gosto da arte que desafia, que não aprisiona o mistério. Arte que é...
Por favor, não me fale de “artistas”. Esse é um termo prostituído, vampirizado, banalizado, imbecilizado. Hoje, “artista” é o que decora textos pobres e rimas mecânicas. É o que dança tristemente os passos ordenados por uma ordinária coreografia. “Artista” hoje é o que vale o preço do ingresso – não sobra nada além dos míseros trocados.
            A arte é a libertação do “artista”. É não se render aos gigolôs da sociedade do consumo. É não gerar as mesmas risadas, ou as mesmas lágrimas do comodismo. A arte conhece outros caminhos para chegar ao coração – é subversiva! Dificilmente passa pelas veias largas das sensações e arrepios que desembocam em aplausos frenéticos e sem juízo. Isso é entretenimento, que muito raramente, é arte. A arte grita na desconstrução do murmúrio. Ora no altar do silêncio. É filha do caos. Apaga velas.
            A verdadeira arte reconhece as pretensões da linguagem. Sabe o limite. Talvez seja a nossa única transcendência. A arte é o sublime que esqueceu de sair daqui. Esconde-se num grafite, numa mão atirando fúrias na tela vazia. É capaz de incapacidades. Age no retrocesso, no reverso, no não-ir, não-ser...
Arte não se explica, se desespera.

35 Razões para não pecar

1– Porque um pequeno pecado leva amais pecados.
2– Porque o meu pecado evoca adisciplina de Deus.
3– Porque o tempo gasto no pecado é desperdiçado para sempre.
4– Porque o meu pecado nunca agrada aDeus; pelo contrário, sempre O entristece.
5– Porque o meu pecado coloca um fardo imenso sobre os meus líderes espirituais.
6 – Porque, no devido tempo, o meu pecado produz tristeza em meu coração.
7– Porque estou fazendo o que não devo fazer.
8– Porque o meu pecado sempre me torna menor do que eu poderia ser
9 – Porque os outros, incluindo a minha família, sofrem conseqüências por causa do meu pecado.
10– Porque o meu pecado entristece os santos.
11– Porque o meu pecado causa regozijo nos inimigos de Deus.
12– Porque o meu pecado me engana, fazendo-me acreditar que ganhei, quando, na realidade, eu perdi.
13 – Porque o pecado pode impedir que eu me qualifique para a liderança espiritual.
14 – Porque os supostos benefícios de meu pecado nunca superam as conseqüências da desobediência.
15 – Porque o arrepender-me do meu pecado é um processo doloroso, mas eu tenho de arrepender-me.
16– Porque o pecado é um prazer momentâneo em troca de uma perda eterna.
17– Porque o meu pecado pode influenciar outros apecar.
18– Porque o meu pecado pode impedir que outros conheçam aCristo.
19 – Porque o pecado menospreza a cruz, sobre a qual Cristo morreu com o objetivo específico de remover o meu pecado.
20 – Porque é impossível pecar e seguir o Espírito Santo, ao mesmo tempo.
21– Porque Deus escolheu não ouvir as orações daqueles que cedem ao pecado.
22 – Porque o pecado rouba a minha reputação e destrói o meu testemunho.
23– Porque outros, mais sinceros do que eu, são prejudicados por causa do meu pecado.
24 – Porque todos os habitantes do céu e do inferno testemunharão sobre atolice deste pecado.
25 – Porque a culpa e o pecado podem afligir minha mente e causar danos ao meu corpo.
26 – Porque o pecado misturado com a adoração torna insípidas as coisas de Deus.
27 – Porque o sofrer por causa do pecado não tem alegria nem recompensa, ao passo que sofrer por causa da justiça tem ambas as coisas.
28– Porque o meu pecado constitui adultério com o mundo.
29– Porque, embora perdoado, eu contemplarei novamente o pecado no Tribunal do Juízo, onde a perda e o ganho das recompensas eternas serão aplicados.
30 – Porque eu nunca sei por antecipação quão severa poderá ser a disciplina para o meu pecado.
31– Porque o meu pecado pode indicar que ainda estou na condição de uma pessoa perdida.
32– Porque pecar significa não amar aCristo.
33 – Porque minha indisposição em rejeitar este pecado lhe dá autoridade sobre mim, mais do que estou disposto aacreditar.
34 – Porque o pecado glorifica a Deus somente quando Ele o julga e o transforma em uma coisa útil; nunca porque o pecado é digno em si mesmo.
35– Porque eu prometi aDeus que Ele seria o Senhor de minha vida.

Renuncie seus direitos
Rejeite o pecado
Renove sua mente
Confie em Deus

Servir: A graça não é de graça (Lc 17.7-10)

Alguém disse que “Deus não pergunta sobre nossa capacidade ou incapacidade, mas se estamos à disposição”.
Uma das maiores carências da atualidade é de gente à disposição. Homens e mulheres compromissados com o Reino.
Vivemos na era das facilidades, onde o que impera é a busca alucinada pelos holofotes e aplausos, como se fôssemos astros e não escravos. J. H. Jowett disse que “o ministério que nada custa nada realiza”.
Phillips Brooks disse: “Não ore pedindo uma vida fácil. Ore para ser um homem mais forte. Não ore pedindo uma tarefa equivalente às suas forças. Ore por forças equivalentes às suas tarefas”. Ainda confundimos a graça com o remanso, o não-fazer. Esquecemos de que o contrário de graça não é esforço, é mérito!
A igreja do século 21 é uma igreja acostumada à mecânica do templo. Uma igreja de pedra, mas não de gente. Uma igreja que inverte o “Ide” e subverte a própria missão – é a autossabotagem eclesiástica.
Pense na seguinte pergunta: o que te qualifica como servo?
Cuidadocoma maldiçãodaociosidade
Carecemos de um resgate da condição de servo! Não um servo sentado em casa, descansando de manhã, repousando à tarde e dormindo à noite!
Um escritor disse que o ócio é a morada do demônio. Ócio é o outro nome da preguiça. Harvey Cox disse que a preguiça foi responsável pelo pecado de Adão: ainda corremos o risco de deixar a serpente escolher por nós!
Oscar Wilde disse que “o problema de a pessoa ter uma boa ideia é ser chamada para colocá-la em prática”. A igreja contemporânea é repleta de especialistas em tudo aquilo que não fazem!
A palavra “negócio” vem do latim: é a junção da partícula de negação “ne” + “ótium” que significa “repouso, descanso”, portanto, “negócio” é a negação do repouso, a negação do ócio. Precisamos descansar, mas não para sempre!
O preguiçoso, nem sempre é aquele que nada faz, às vezes, se esconde no ativismo! É aquele que faz tudo o mais rápido possível, só para ver se sobra tempo para descansar! Um provérbio antigo diz que
“o diabo tenta todo mundo, mas o preguiçoso tenta o diabo”.
Phillips Brooks disse que “Pensar que você não pode fazer nada é quase tão arrogante quanto pensar que pode fazer tudo”.
Trabalhe! Envolva-se na graça e sirva! A graça não é de graça!
Estar envolvido com a graça não significa ser negligente
O servo qualificado é o oposto do negligente. Algumas pessoas usam a graça como desculpa para não trabalhar.
O servo não deve esquecer suas tarefas: Os alemães têm um provérbio: “jamais digas esqueci, pois o esquecimento é próprio dos irresponsáveis”. O esquecimento da graça nos lança no perigoso território da não-graça! Desculpas esfarrapadas para não gerarmos frutos e filhos!
O servo não deve ser desleixado: Precisa aprontar-se e servir com qualidade. Um dos aspectos que a Rainha de Sabá observou e elogiou foi a corte de Salomão (I Reis 10. 4-8). Servos desleixados envergonham seu Senhor.
O servo não deve ser desatento: Deve esperar enquanto seu Senhor come e bebe. Servos desatentos sentam-se em qualquer lugar, inclusive nos lugares aonde não foram chamados.
C. S. Lewis disse: “Certamente você realizará o propósito de Deus, não importa como esteja agindo, mas faz diferença se você serve como Judas ou como João”.
Sirva com excelência, pois  como disse Paulo em I Co. 15. 58: “o nosso trabalho não é vão no Senhor”
Cuidado com a armadilha da ambição desmedida
Em Lc. 17. 9, Jesus pergunta aos discípulos: “será que vocês agradecerão ao servo por ter feito sua obrigação?”
Hoje, trabalhar por glórias e mídia virou obsessão. A ambição desmedida foi responsável pela metamorfose de anjos em demônios. O elogio ao servo só ocorre no final de sua tarefa: “servo bom e fiel”. A ambição desmedida faz com que o servo distorça sua tarefa e destrua sua recompensa. Servir, por si só, já deve ser visto como glória.
Agostinho dizia: Torna-me teu escravo, ó Deus, e então serei livrre! Vance Havner disse: “Nossa eficiência sem a suficiência de Deus é apenas deficiência”. A ambição desmedida pode nos levar ao abismo da manipulação dos meios e dos outros.
Qual tem sido a sua motivação?
Cuidado com a doença da arrogância
O versículo 10 deixa explícito o que os próprios servos pensavam de si: “somos servos inúteis”.
Esse texto vai na contramão da espiritualidade dos queridinhos de hoje. Vivemos numa igreja onde ninguém quer ter a abençoada inutilidade, a grande maioria dos crentes foram picados pela mosca azul do poder.
Um servo arrogante é uma ameaça ao bom andamento da obra. Servo arrogante é contradição. Quem serve, deve fazê-lo em amor! (João 13)
Que Deus nos guarde da enfermidade da arrogância, da Síndrome de Nabucodonosor, de trocar o manjar do Senhor pelo capim dos orgulhosos.
Até mais...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

DIAGNÓSTICO DO AZAR: e a proposta de libertação...



DIAGNÓSTICO DO AZAR: e a proposta de libertação...“Bem-aventurado é aquele cuja mente está posta em Deus” — paráfrase de Isaías. Conheço gente que parece que tem uma parabólica de captação de tudo o que é ruim; assim como conheço gente que vive o oposto, como se tivessem nascido de “quina pra lua”: tudo lhes dá certo! De fato, já vi e vejo coisas aterradoras, especialmente quando se trata de gente boa que parece que atrai tudo o que é ruim. A pergunta de todos, quando vêem pessoas boas sempre sendo vitimadas por alguma coisa, é uma só: Por quê? Ora, a resposta evangélica da moda é simplificar tudo no “enconsto”, ou na “maldição hereditária”, ou diretamente no “diabo”. E, assim, muitas vezes, inventam “demônios” novos, os quais passam a fazer parte do patrimônio psicológico desse ser já tão magoado pelas perseguições “carmicas” de sua própria existência — e que, agora, depois do “diagnóstico” ou do “diabinóstico” dos “pastores”, além de psicologicamente complexificada por diversos fenômenos, ainda a eles (aos fenômenos) se incorpora um “psiquismo demoníaco”, que faz a pessoa se sentir “vítima” do diabo; e, assim, mais calamidades lhe virão; pois, todas elas, no caso de pessoas com “vício de tragédia”, nascem das projeções que procedem do interior de cada um. O próprio Jó, que na Bíblia é o ser arquetípico a representar esse estado de calamidades aleatórias e desproporcionais, confessa que tudo o que ele temia, isso mesmo lhe acontecera. Ora, isto, no caso de Jó, não diminui a “demanda de Satanás” pela vida dele na presença de Deus. Entretanto, não se pode também desprezar o elemento do “medo” presente na confissão de Jó, apenas porque Satanás também se fez presente no processo. Medo é a pior macumba! Quem teme — transpira, exala, irradia, emana, emula, transmite, passa, envia, comunica e faz uma ambiência favorável à criação de calamidades. O cachorro o ataca. O ladrão o assalta. O estuprador vê essa fraqueza e por ela é atraído. O mal-caráter se acha em casa. Os inimigos decidem abusar. Os amigos dão menos importância. A namorada (o) confia menos ou não confia. As doenças encontram seu habitat. E até o cérebro da pessoa passa se formatar por aquele estado de sobressalto, e, assim, irradia tanto sinais químicos quanto de natureza energética até para quem passa pelo seu caminho ou com essa pessoa convive. Medo é a antítese da fé. Meu pai costuma dizer que quando o medo entra pela porta é porque a fé já saiu pela janela. Assim se pode dizer o seguinte acerca do medo: “Ora, o medo é a certeza inconsciente de todas as coisas que se teme, e a inconsciente entrega à possibilidade de experimentar tudo o de que se tem pânico e pavor”. É obvio que há certas pessoas que carregam heranças genéticas, culturais e psicológicas terrivelmente negativas. E, tais pessoas, são como um Armazém de doenças e de dificuldades herdadas. Entretanto, havendo disposição de enfrentar tudo o que é de natureza psicológica e cultural, mudando hábitos, discernindo condicionamentos, desmontando arquiteturas mentais; e também tratando das coisas que geneticamente podem ser diminuídas nas “profecias de DNA” — a pessoa pode diminuir todas as implicações que tais coisas carregam. Mas não é acerca disso que se está falando; embora uma pessoa que se impressione com tais “acervos e heranças” (em razão do medo) possam até mesmo vir a exacerbar tais coisas em sua própria vida. O medo realiza todas as profecias do mal! Além do medo, eu digo que sentimentos de ódio, de ira, de mau-humor, de vingança, de hostilidade, de inveja, de “comparação”, de amargura, de maledicência, de desejo perverso, e seus derivados — atraem também as calamidades sistêmicas. Sim, porque existem calamidades factuais e acidentais, assim como existem, diferentemente das primeiras, as calamidades sistêmicas. É acerca dessa última possibilidade que estamos falando. Desse modo, desejo prosseguir dizendo que há pessoas que se tornam “parabólicas de recepção de calamidades”, assim como elas mesmas, muitas vezes, terminam por se tornar “transmissores de calamidades sistêmicas”. Ou seja: são aquelas pessoas que onde quer que estejam sempre acontece algo ruim a elas ou a quem está com elas; ou ainda a quem elas amam. E por quê? Ora, para não falarmos em medo, cujo poder de provocar ambas as coisas é óbvio, falemos de algo mais sutil ainda. Auto-vitimização e aceitação de um estado de azar, são também derivados do medo que sutilmente criam essa pessoa que recebe e irradia coisas ruins. Na auto-vitimização o que se tem é uma mente que acredita que não há valor em si mesma; ou que tal valor não é visto e percebido; ou que creia que há uma conspiração cercando-a —; sem que isto seja ainda um estado clínico de paranóia. Ora, tais pessoas tornam-se emissores de energias espirituais, psicológicas e até cerebrais, ruins; e que fazem mal a elas próprias, como também chegam a transmitir seu estado para outros que com eles convivam com constância. Desse modo, uma pessoa que vive de auto-vitimização, e que usa isto como capital relacional fundamental, buscando sempre manipular pela “pena e pela compaixão”, tornam-se tão miseráveis em si mesmas, que sua presença acaba por irradiar o peso de tais sentires; razão pela qual, quando tal pessoa se ausenta, o ar fica literalmente leve. Sobre a aceitação de um estado de azar, também devo dizer que conheço algumas pessoas assim. Aqui vai um exemplo, dentre muitos até bem mais chocantes do que o que narrarei a seguir, mas que foi por mim escolhido para ilustrar o que digo por ser algo relacionado a uma pessoa que acompanhei por muitos anos; e que, portanto, passa a ter um interesse especial para mim. Falo de um rapaz que teve um trauma na infância e foi objeto de cuidados especiais. Então, na família, tal pessoa passou a ser um “cara diferente”, necessitando de cuidados adicionais. Aos 17 anos foi trabalhar e foi “adotado” por todos. No emprego todos percebiam sua fragilidade, e brincavam com o fato de que um garotão tão novo fosse tão cheio de achaques e cuidados. Então o moço incorporou a “cultura” da casa e do trabalho. No ambiente profissional, entretanto, passaram a brincar com as muitas dores que o moço apresentava. Assim, ele terminou por assimilar todas aquelas coisas como parte de si mesmo. Os anos passaram, e os males do rapaz aumentavam. Dores nas costas, nos pulsos, nos braços, nas pernas, no estômago, no fígado, nas coxas, em todos os lugares. E, com isto, ele passou a ser objeto de mais brincadeiras ainda; pois nada parecia sério demais. Depois de uns tempos, sempre que ele estava presente nas coisas, algo acontecia: o carro quebrava, acidentes aconteciam, madeiras caíam, equipamentos davam defeito, alguém de machucava; ou, então, ele mesmo era o azarão, o acidentado. E todos faziam gozação do cara “pé-frio-azarado”. Tudo na gozação. Enquanto ele mesmo gostava de ser essa persona. Com o passar do tempo, ele virou um personagem, um azarão profissional, um mascote de mandingas engraçadas. Então, quando havia algo delicado e perigoso a ser feito, pediam sempre, na gozação, que o carinha não chegasse nem perto; e como ele também não era chegado a grandes esforços, saía do lugar rindo e fazendo gozação de si mesmo. Numa boa! Até que pessoas que ele amava começaram a adoecer, a morrer, a se acidentar, a se machucar, etc. Por último, até a namorada, recém conquistada, por quem o rapaz estava e está apaixonado, sendo apenas uma jovem mulher de 28 anos, teve um AVC. — Pastor, o que está acontecendo comigo? — me indagou ele falando sério pela primeira vez. Minha resposta a ele foi mais ou menos a seguinte: Você se tornou uma bateria de captações e de transmissões de tudo aquilo do que você ri a seu respeito; mas que, no fundo, no seu inconsciente, você acredita. Você acredita que “tudo com você é assim”; e, assim, você cria tudo aquilo no que você acredita; pois tudo é criado na mente; no pensamento; e se mantém pela continuidade do processo mental viciado em ser-pensar-assim; o qual acaba virando um olhar da vida e de si mesmo; como se nós fossemos aquilo ou daquele jeito; e sem cura. Ele se tornou um bruxo no inconsciente! Sim, porque a bruxaria como fenômeno é exatamente isto; podendo ser consciente ou inconsciente. A bruxaria consciente é perversa; pois pretende interferir na existência de outrem, mudando-lhe o caminho para um fim que não é fruto da escolha do indivíduo. Já a bruxaria inconsciente é apenas o fruto da irradiação de um medo feito “carma”; ou seja: uma coisa que acompanha a pessoa sem que ela saiba o por quê; mesmo que a pessoa diga crer ser uma conseqüência de uma outra vida anterior. Desse modo, nossa mente não apenas cria nosso olhar da vida, como também pode produzir um caminho exterior ruim; e isto não apenas para a própria pessoa, mas até mesmo para aquelas que a cercam. Sim, porque todos nós irradiamos quem somos; e também o que temos em nós; especialmente no convívio e com o tempo. É por esta razão que cada um de nós deve buscar manter a mente cheia de fé e de pensamentos construtivos. O mesmo deve acontecer com nossas palavras e propostas de vida e para a vida. E, além disso, manter o coração livre de medo, em razão da Confiança, é o que nos dá a garantia de que viveremos num mundo real e protegido; ao invés de nos tornarmos apenas seres que recebem e irradiam energias mentais e espirituais; tornando-se, assim, um ser sujeito às manipulações e aos acidentes evitáveis da existência; escapando desse modo de existir como um bruxo no inconsciente. Ora, eu poderia dizer muito acerca disto, mas meu objetivo hoje é apenas deixar você pensando nisto! Nele, que cura o nosso olhar da vida e de nós mesmos; e, assim, muda azares em desígnios do bem,

EM CRISTO A MORTE É DOCE

EM CRISTO A MORTE É DOCE
A "Vida é Bela" deveria ser mais dificil de fazer acreditar do que no fato de que a "Morte é Doce". Afinal, todos somos testemunhas de que a natureza é bela, mas o mundo dos humanos apenas manifesta algumas belezas, mas é mais freqüentemente cruel e implacável! Apesar disso, Jesus disse: “Aquele que ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, não entra em juízo; já da morte para a vida”. Ou seja: dá para se experimentar a eternidade ainda na experiência da existência neste planeta caído. A eternidade não será! Em Cristo ela já é! O mundo é cruel, mas nosso alvo deve ser experimentar a existencialidade da eternidade mesmo que ainda se esteja vivendo dentro das limitações de nosso presente estado de existência. Paulo via a morte de uma maneira vitoriosa. Ele não a buscava. Preferia adiar sua partida a fim de que a Graça em sua vida histórica se tornasse o mais útil possível! Enquanto no corpo ausentes do convívio glorificado no e com Senhor Jesus! O tabernáculo terrestre—o corpo—é corruptível! O corpo celestial é incorruptível! Assim, o viver é Cristo; o morrer é lucro! Para Paulo era certo que o homem exterior se corrompe com o passar do tempo. Vem a velhice, a canseira, os achaques nas juntas, os pesos, a perda da visão, da audição, da energia construtivista—e a dor da sabedoria de quem sofre não pelo seu próprio futuro, mas pelo daqueles que ama e aqui ficarão. O contraponto é que ele diz que em Cristo o homem interior se renova de dia em dia! Isto para quem considera a leve e momentânea tribulação como algo a não ser comparado com o peso de gloria a ser revelado em nós. Depois de ir ao terceiro céu...bem, depois disso, ele sabia que o que olhos não viram, o que os ouvidos nunca haviam ouvido, e também aquilo que nunca jamais havia subido como imaginação inspirada pela mais mágica fantasia artística, teológica, filosófica, sinfônica, degustativa, sensorial ou extrasensorial—era o que Deus havia reservado para aqueles que o amam! “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito”—diz ele! Não era licito aos homens referir somente porque era irreferível. Nem sempre o revelado cabe em palavras! Paulo viajou do caminho da certeza da vida eterna até chegar ao prazer pela eternidade! Essa é uma viagem que poucos cristãos fazem. E é tão raro, não porque não se tem certeza da salvação, mas porque a morte é um tabu de dor transacional para a maioria de nós. “O que acontecerá na passagem?”—é sempre a questão, mesmo quando não se tem a coragem de confessar! Bem, a passagem não terá acontecido enquanto o corpo estiver sofrendo. E o corpo pode sofrer de dor de física, mas também da dor do medo. O medo de como é a passagem faz sofrer muito mais que a passagem em si! Mas se de algum modo o espírito está cativo da eternidade como prazer, então a morte—que já perdeu seu poder de apavorar como dor eterna—perde também sua força como fobia da passagem! É como nascer! Só que não é do abrigo do útero para a dor do mundo. É a passagem do terror da corrupção do corpo—em todas as suas dimensões—para o inesgotável mergulho no amor infinitamente surpreendente do ser de Deus. Minha suposição é que Paulo foi levado para a decapitação com a serenidade feliz dos premiados. Muitos anos antes daquele dia Pedro havia dormido na prisão da Fortaleza Antônia, em Jerusalém, na véspera de sua própria execução. Para quem chegou aí, mesmo que haja dor física na passagem, não é para comparar com o peso de glória que o aguarda. Até a dor se adocica nesse estado! É no mínimo como um cafuné celestial. Creio que deve fazer extasiante coceira no cocuruto da alma e no cangote do espírito! Nesse caso não se tem somente a certeza da salvação. Tem-se o êxtase dela! A viagem de fé nesta vida deve poder nos levar ao nível de pacificação que produz essa alegria calma no ser. Afinal, o próprio Paulo disse: “...a morte é vossa...e vós de Cristo, e Cristo de Deus”. Caio 15/03/2003 Escrito 1 ano antes de meu filho Lukas partiu para a Casa do Pai!

“TO BE OR NOT TO BE”: NÃO É A QUESTÃO!

“TO BE OR NOT TO BE”: NÃO É A QUESTÃO! “Veio para o que era Seu, mas os Seus não o receberam” — é como o apóstolo João descreve o modo como os filhos de Abraão trataram o Messias, o Cristo, o Emanuel, o Verbo da Vida. Neste contexto imediato, no qual “os Seus” são os da descendência da Promessa feita a Abraão, aqueles que “o receberam” — os quais também Dele “receberam o poder de serem feitos filhos de Deus” — são visto por João como sendo todo e qualquer ser humano que acolha a Jesus pela fé, confessando que Ele é o Verbo Eterno que se encarnou. Estes, os que não eram os Dele, o reconheceram; enquanto aqueles que eram “naturalmente” “os Seus”, esses não o receberam, nem sequer o reconheceram. Ora, conquanto este seja o sentido original e imediato do texto de João, conforme seu entendimento e aplicação consciente da revelação que o possuíra, a Palavra não se circunscreve e nem se deixa escravizar por nenhum “contexto imediato”. Ou seja: por aquilo que no momento da produção do texto era o alvo consciente do autor, no caso, João. O texto, em si mesmo, e para além do contexto imediato, propõe um sentido muito mais amplo e móvel; porém permanente no seu poder de determinar quem são “os Seus” que não o recebem; e quem são os aqueles que não sendo “naturalmente” Seus — conforme a as linhagens históricas da confissão da fé como religião —, “o recebem”; os quais da parte de Deus, “recebem” também o “poder de serem feitos filhos de Deus”. E quem são uns e outros? Na visão da “igreja”, no que diz respeito a pratica da pregação e conforme as doutrinas da salvação, “os Seus” que não o recebem, são todos aqueles que ouvem a mensagem da “igreja” acerca de Jesus, e não o aceitam como Senhor e Salvador; portanto, não aceitando também serem membros da “igreja”; decisão essa que se tornou na única prova cabal de que alguém “pertence a Jesus.” Assim, do ponto de vista da “igreja”, o “mundo” é feito daqueles que eram “os Seus”, e que não o receberam. E a “igreja” é aquela que o “recebeu”, e cujos membros são os “filhos de Deus”. Ora, isto demonstra como a “igreja” se esquizofrenizou entre ser “gentia”, e, ao mesmo tempo, “o Israel de Deus”. A verdadeira Igreja é “o Israel de Deus”, segundo a Promessa feita a Abraão, e da qual se tornam herdeiros todos os que crêem em Jesus, posto que os herdeiros da promessa são os da fé que teve Abraão, não importando a raça, a cultura, o sexo, a etnia, ou qualquer outra forma de diferenciação feita pelos homens. Desse modo, a Igreja é aquela que é feita dos que “o receberam” (não sendo naturalmente “os Seus”), os quais, por esta razão, não apenas receberam “o poder de serem feitos filhos de Deus”, mas também se tornaram “o Israel de Deus”. E aqui reside uma grande confusão: “a Igreja não é ‘Israel’”, pois é quase que inteiramente “gentia”; ao mesmo tempo em que, pela fé, se torna herdeira das promessas feitas a Abraão, segundo a fé que justifica pela Graça, tornando-se, por esta razão, “o Israel de Deus”. Eis o híbrido: incircuncisos que se tornam circuncidados pela fé; pagãos que são feitos filhos de Abraão; gentios que se tornam o Israel de Deus. Paulo trata disso chamando de um “enxerto” do galho da “oliveira brava” no caule da “oliveira natural”. Assim, quem não era, passa a ser; e quem era, deixa de ser. E esta é uma dinâmica que vai e vem, de tal modo que o eixo de quem é e quem não é, varia conforme a jactância de ser ou seu quebrantamento. Ou seja: quando quem era creu que era tanto, que não poderia deixar de ser (o Israel histórico), então, não o reconheceu. E quando aqueles que não eram, passaram a ser, assim foi porque como gentios segundo a carne, aceitaram a oferta da Graça como aqueles que recebem o que sabem que não merecem, porém crêem no poder da promessa a eles feita por Aquele que os chamou de filhos, por Sua livre vontade. Portanto, quem era “de-mais”, deixou de ser; e quem era “de-menos”, passou a ser. Isto porque sempre que alguém pensa que é, começa a deixar de ser. O ser só se mantém sendo! Ora, para a “igreja”, que “se vê” como o “Israel de Deus”, tal realidade não muda. Desse modo, ela, sem saber, se torna um verdadeiro Israel segundo a carne, não o “Israel de Deus”. Ou seja: quando ela é tomada por tal presunção, ela passa a fazer parte do grupo com potencial para “não o reconhecer” Hoje. É a jactância do pedigree de “ser o Israel de Deus” aquilo que torna a “igreja” um “Israel segundo a carne”, visto que o que João disse, não se tornou algo cristalizado, mas varia conforme as mudanças do coração humano. E aqui há um princípio espiritual apavorante, o qual nos ensina que todas as “certezas” que deixam de ser apenas “fé grata”, transformam-se no oposto daquilo que um dia foram, quando bem-aventuradamente se tornaram justamente aquilo que “por natureza” não eram. É por esta razão também que João diz que esses que “recebem o poder de serem feitos filhos de Deus”, não nasceram “nem da carne e nem da vontade do homem, mas de Deus”. Ou seja: eles nunca são o resultado nem da continuidade histórica (da carne), nem tampouco são filhos de decisões humanas (da vontade do homem, ou de sua declarações acerca de quem é ou quem não é). Ao contrário disso, eles são exclusivamente filhos do acolhimento do amor de Deus. Portanto, é o amor feito confissão de fé e vida grata pela Graça, aquilo que mantém a pessoa nesse “lugar existencial” no qual ela é sempre; e isto porque sempre sabe que não é; visto que ela é justamente porque sabe que não seria; tendo em si mesma a gratidão que nunca a deixa se ver como “dona” de si mesma; ou como um ser que já não precisa ser, visto que em jactância diz que já é. Em outras palavras: aqueles que não eram e passaram a ser, são aqueles que são-sempre-sendo, nunca parando; e continuamente olhando a si mesmos com o olhar da gratidão, declarando todos os dias a Graça que os faz serem aquilo que por natureza não eram, visto que a verdadeira “natureza” do ser que é, é justamente feita dessa fé que nunca vira certeza humana, e nunca evoca qualquer privilégio especial em razão de ligações históricas com a História da Fé. Recebem o “poder de serem feitos filhos de Deus” os que acolhem Jesus todos os dias com a gratidão de quem “foi feito”, posto que “não era”. Assim esses são porque sabem que não mereciam terem se tornado. Ora, o verdadeiro “Israel de Deus” é feito de gente que se vê como aqueles que não deveriam ser, pois, no momento em que julgam que são, e crêem que esse é um estado cristalizável, nesse mesmo momento, deixam de ser. O principio, portanto, é este: no Evangelho só se é, sendo! Assim, a questão não é “to be or not to be”, mas sim, ser-sendo. Nele,

BOM! BONZINHO NUNCA!

BOM! BONZINHO NUNCA! Outro dia alguém me perguntou qual é o limite, a referencia “basta”, para o mandamento de fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam. Sim, porque fazer incansavelmente à mesma pessoa o bem que gostaríamos de receber dela, e receber de volta apenas e tão somente o oposto, pode fazer com que o outro (o que recebe apenas o bem) se vicie no fato que de nossa parte só vem a mansidão; e, assim, se torne adoecidamente mimado, abusivo, injusto, e até perverso. Nesse caso, aquele que continua infinitamente a tratar a pessoa daquele modo como gostaria de ser tratado, pode, inconscientemente, desenvolver a doença da bondade, que é a manifestação de uma bondade que não sabe fazer o bem, mas apenas a “bondade”, a qual, sendo recebida por um ser abusivo, pode receber dele a reação que a pouco descrevi; e, naquele que é o ser da bondade, desenvolver uma “bondade adoecida”, posto que se torna co-dependente do outro-abusivo, e insiste em si mesma como “bondade”, apenas porque já não sabe viver sem ser sob o abuso. Nesse caso, o que se deveria de melhor desejar a nós mesmos é que qualquer um que nos visse nesse estado de prática de abusividade contra o próximo, nos confrontasse, e nos acordasse para o fato que quem vive assim é doente e se torna perverso. Por isso, eu também esperaria que tal pessoa me tratasse com a necessária energia, pois, não desejo ficar doente de alma. De fato, por onde quer que você olhe para esse mandamento do amor ordenado por Jesus, fica claro que ele não incita aos romantismos da bondade adoecida. Ao contrário, ele nos manda pensar o que seria o bem, e não o que seria “gostoso”. Portanto, ele nos põe na vereda da propriedade e da pertinência em todas as coisas. Nessa medida existencial ensinada por Jesus cabe o resposta-proposta certa para cada situação da vida, isso se se tem em mente o bem, e não os estereótipos de “bondade”. Se alguém, por exemplo, trás essa questão para a dimensão conjugal, é inevitável deixar de pensar que os homens que traem suas esposas deveriam imaginar e se colocar na posição de quem vê a sua mulher sendo “devorada e traçada” pelo patrão ou por um colega de trabalho, isso a fim de saber se querem ser tratados conforme estão tratando as suas esposas. Não é preciso haver moralismos de nenhuma natureza quando se tem essa medida do mandamento do amor ensinado por Jesus. Literalmente ele trás à existência tudo o que é bem e bom, e com toda a propriedade e pertinência; pois, sua aplicabilidade é ilimitada. Esse mandamento de Jesus não gera seres tristemente bonzinhos, mas seres humanos fortemente bons. Na realidade é para essa “uma só coisa” que Jesus faz o Evangelho inteiro se fazer condensar. Daí procedem todos os caminhos da vida, e nada que não nasça aí é realizador do bem em sua total propriedade. Quem alcança tal disposição mental em todos os níveis da vida, sendo capaz de ver tudo, o tempo todo, com tais olhos, esse chegou na estatura do varão perfeito. Essa deveria ser uma ambição de entendimento que todos nós deveríamos buscar. Afinal, fora de tal modo de ver a todas as coisas, o que sobra é apenas a militância nas leis do ódio e da vingança; ou então, cria a “bondade ineficaz”, e que gera seres passivamente bonzinhos, e que nada produzem de mudança em si mesmos e no mundo. A Humanidade que o diga!...