O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder? Esperava Ele que após o derramar do Espírito eles ficassem Jerusalém? Que ali fizessem uma base? Que o lugar se tornasse um centro de decisões? Que ficassem e tentassem converter o judaísmo à fé de Jesus? Que buscassem tornar fariseus em discípulos fariseus? E fazer sacerdotes saduceus (a classe sacerdotal) tornarem-se discípulos sacerdotes? Será que Ele desejava que dali para frente o que quer que acontecesse em qualquer lugar, tivesse que ser referendado pelo poder dos discípulos de Jerusalém? E que toda e qualquer expressão dos novos discípulos, de outros lugares, tivesse que ter o carimbo de autenticação feito no cartório de Jerusalém? Paulo vai até eles, “aos de Jerusalém”, apenas duas vezes. A primeira vai constrangido pela bobagem dos motivos da ida, mas vai assim mesmo, buscando paz e a diminuição da opressão que ele mesmo sentia na pele, sendo sempre perseguido ou por fariseus em “missão” no estrangeiro, ou por cristãos judaizantes. Assim, em Jerusalém, Paulo consegue uma carta com algumas concessões para os cristãos gentios. Para Paulo era apenas uma tentativa de diminuir o conflito, mas, certamente, era uma carta básica demais para as alturas de entendimento pelas quais o espírito de Paulo já planava ao sabor do vento da Graça. Na segunda vez que lá esteve também fez de tudo para acalmar os “líderes de Jerusalém”, e até se submeteu a um “voto”, e raspou a cabeça, e foi fazer orações no templo, até que foi apanhado pelas autoridades judaicas que se deixaram levar pelas provocações de juidaizantes que encontraram a Paulo na cidade, e que já o perseguiam desde há muito; e, assim, alegraram-se com a possibilidade de matar aquele piolho contra as paredes pedradas de Jerusalém. Paulo acabou preso, tendo que se defender sozinho, sem contar com uma única voz apostólica a seu favor, e sem nenhuma aparente ação de Tiago—o líder de Jerusalém—ou de seus seguidores; e foi deixado à sorte e aos humores dos judeus. Para mim, o desconforto de Paulo com a igreja de Jerusalém—e a ação deles em relação a Paulo—, bem expressa o que ele cria que não deveria ter acontecido jamais. Paulo queria ver seus compatriotas convertidos e crendo em Jesus, mas não desejava que a fé tivesse um centro físico de decisões, um vaticano; e que, efetivamente, foi aquilo no que a incipiente igreja de Jerusalém desejou fazer de si mesmas: um centro de decisões para os demais cristãos. Ora, a ordem de Jesus era para que se pregasse também em Jerusalém, mas que de lá se fosse pela judéia, pela Samaria, e até aos confins da terra. Eles, todavia, ficaram, ficaram, e ficaram em Jerusalém. E de lá só começaram a sair quando da perseguição de Estevão, tempos depois. E logo retornaram; e logo lá se re-estabeleceram, a ponto de Tiago se orgulhar, dizendo a Paulo: “Vê, irmão, quanto milhares de milhares há entre nós que crêem, e são todos zelosos da lei”. O que para Tiago era uma alegria e uma vitória da fé, para Paulo, era, todavia, uma derrocada. É insistente a rejeição de Paulo com relação ao papel cartorial e papal que a igreja de Jerusalém evocava para si mesma. O centro do poder! Esta é uma demonstração simples de como o “poder do Espírito”—“permanecei na cidade até que do alto sejais revestidos de poder!”—pode, rapidamente, se transformar em poder político-religioso, mesmo que o argumento seja tão supostamente nobre quanto dizer: “É para regular a fé”. Eu comecei fazendo a seguinte pergunta: O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder? Na minha opinião Ele esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse, agora, não mais “treinado”, como antes Ele os fizera experimentar—Mateus e Lucas narram esse eventos preparatórios—, mas sim, que agora, tudo aquilo fosse vivido como uma ação continua, num fluxo ininterrupto, num vai e vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano, nem um centro de poder. Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos, e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e, muito menos, um lugar mais santo, ou um centro de poder. Eu vejo Paulo sendo acusado de ter criado o cristianismo. Que terrível acusação! Não, não acusem Paulo disso. Pode-se dizer que dele vieram as elaborações e as conclusões “teológicas” acerca do significado daquilo que entre eles havia acontecido como fato histórico, mas que não tinha ainda tido sua síntese reflexiva e aplicativa feita por ninguém antes. Os apóstolos pregavam a salvação no nome de Jesus, mas não sabiam das implicações mais profundas da fé, e nem tampouco acerca da desconstrução religiosa que tal fé, sendo discernida, provocaria. Acusem sim os “pais da igreja” e seus “mestres” de haverem feito doutrinas sobre as afirmações de Paulo, e de terem usado suas revelações acerca do “mistério antes oculto, agora, porém, revelado de uma vez por todas”, em um pacote de doutrinas, e que vieram a moldar o pensar do cristianismo, embora, a pratica religiosa posterior dos cristãos, seja tão somente filha do casamento da igreja de Jerusalém com as autoridades do templo, e com os legalismo dos fariseus “convertidos à fé”. À isso, posteriormente, se fez sincretismo, incorporando noções dos cultos de mistério dos gregos, abrindo-se também para as influências gnósticas, e adotando o método grego—mais precisamente o Aristotélico—, a fim de ser o “modo cientifico” da igreja pensar e fazer teologia; e sua filhas: as doutrinas. Jesus não havia dito fiquem. Mas apenas fiquem até que sejais revestidos de poder. Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, levado pelo vento, guiado pelo Espírito, e complemente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galileia, nos desertos da judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nas regiões onde os cachorrinhos, debaixo da mesa, aguardavam as migalhas que poderiam saciar a fome de toda a terra. Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrario a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de algo duradouro. Para Jesus o algo duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de vistas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos. Jesus não era pragmático. Se o fosse, teria logo se mudado para Roma, ou teria aceitado o convite dos gregos, conforme João 12. Se Jesus fosse pragmático jamais teríamos o Evangelho. Isso porque o Evangelho propõe o Caminho Inviável, e que só se faz possível quando os homens são capazes de esquecer todas as suas formas de controle e poder. O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim que se tenha vida, é também valido para a igreja, que, ao contrário do discípulo, quer mandar na vida, e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo. O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas não pontuadas, jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos. O reino é como o fermento escondido...até que pervade toda a massa da humanidade...sem ninguém saber como...e sem que ninguém possa dar gloria a mais ninguém, se não ao Pai que está nos céus. Aliás, a proposta de Jesus é tão pouco pragmática, que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse desaparecimento da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, realidade, inescusável benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: ele está na panela. Mas onde? Já a Luz do mundo—vós sois!—, deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo completamente discreto, porém pleno de efetividade; de tal modo que os “de fora” é que ao receberem os benefícios da luz, discirnam-na como boas obras, e, assim, eles mesmos, agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra. O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós”—referindo ao poder de governar dos reis e autoridades—, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum. “O meu reino, agora, não é deste mundo”, os fez pensar que aquele “agora” já havia passado, e que, “agora”, eles estavam livres para facilitar as coisas; ou seja: para complexificá-las, conforme os governos da terra, deixando de lado a leveza do caminho, e o verdadeiro espírito hebreu—andarilho, cruzador de fronteiras—, e que havia sido também encarnado em Jesus. O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder, sem qualquer mandão entre nós; e que a luz do mundo pode ainda brilhar no mundo, não como uma ação da igreja, mas como fruto da bondade justa e misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um agente da igreja, mas apenas um filho do amor de Deus solto nesta terra. E não nos reuniremos mais?—é a pergunta angustiada de alguns. É claro que nos reuniremos sempre. Mas tais encontros não visariam centralizar as forças e organizar as ações de poder, mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor, e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja: com sabor e boas obras. Eu sei que pareço louco para alguns. Não nasci ontem. Conheço os mecanismos de poder dos quais a “igreja” se alimenta. E também sei que apenas um punhado mínimo de pessoas têm a coragem que o Evangelho do reino demanda, que é a coragem para abrir mão do poder, e para liderar pela simplicidade, sem trono a nos acolher em honras. Quem, no entanto, tiver tal coragem da simplicidade, esse conhecerá o significado de ser discípulo de Jesus no reino deste mundo, e que é o poder que nasce da fraqueza—que, aliás, é o único poder que Jesus quer ver sendo vivido pelos Seus discípulos. Minha esperança é que pelo menos alguns poucos entendam e creiam.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
COMO O CAMINHO DO EVANGELHO VIROU CRISTIANISMO
O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder? Esperava Ele que após o derramar do Espírito eles ficassem Jerusalém? Que ali fizessem uma base? Que o lugar se tornasse um centro de decisões? Que ficassem e tentassem converter o judaísmo à fé de Jesus? Que buscassem tornar fariseus em discípulos fariseus? E fazer sacerdotes saduceus (a classe sacerdotal) tornarem-se discípulos sacerdotes? Será que Ele desejava que dali para frente o que quer que acontecesse em qualquer lugar, tivesse que ser referendado pelo poder dos discípulos de Jerusalém? E que toda e qualquer expressão dos novos discípulos, de outros lugares, tivesse que ter o carimbo de autenticação feito no cartório de Jerusalém? Paulo vai até eles, “aos de Jerusalém”, apenas duas vezes. A primeira vai constrangido pela bobagem dos motivos da ida, mas vai assim mesmo, buscando paz e a diminuição da opressão que ele mesmo sentia na pele, sendo sempre perseguido ou por fariseus em “missão” no estrangeiro, ou por cristãos judaizantes. Assim, em Jerusalém, Paulo consegue uma carta com algumas concessões para os cristãos gentios. Para Paulo era apenas uma tentativa de diminuir o conflito, mas, certamente, era uma carta básica demais para as alturas de entendimento pelas quais o espírito de Paulo já planava ao sabor do vento da Graça. Na segunda vez que lá esteve também fez de tudo para acalmar os “líderes de Jerusalém”, e até se submeteu a um “voto”, e raspou a cabeça, e foi fazer orações no templo, até que foi apanhado pelas autoridades judaicas que se deixaram levar pelas provocações de juidaizantes que encontraram a Paulo na cidade, e que já o perseguiam desde há muito; e, assim, alegraram-se com a possibilidade de matar aquele piolho contra as paredes pedradas de Jerusalém. Paulo acabou preso, tendo que se defender sozinho, sem contar com uma única voz apostólica a seu favor, e sem nenhuma aparente ação de Tiago—o líder de Jerusalém—ou de seus seguidores; e foi deixado à sorte e aos humores dos judeus. Para mim, o desconforto de Paulo com a igreja de Jerusalém—e a ação deles em relação a Paulo—, bem expressa o que ele cria que não deveria ter acontecido jamais. Paulo queria ver seus compatriotas convertidos e crendo em Jesus, mas não desejava que a fé tivesse um centro físico de decisões, um vaticano; e que, efetivamente, foi aquilo no que a incipiente igreja de Jerusalém desejou fazer de si mesmas: um centro de decisões para os demais cristãos. Ora, a ordem de Jesus era para que se pregasse também em Jerusalém, mas que de lá se fosse pela judéia, pela Samaria, e até aos confins da terra. Eles, todavia, ficaram, ficaram, e ficaram em Jerusalém. E de lá só começaram a sair quando da perseguição de Estevão, tempos depois. E logo retornaram; e logo lá se re-estabeleceram, a ponto de Tiago se orgulhar, dizendo a Paulo: “Vê, irmão, quanto milhares de milhares há entre nós que crêem, e são todos zelosos da lei”. O que para Tiago era uma alegria e uma vitória da fé, para Paulo, era, todavia, uma derrocada. É insistente a rejeição de Paulo com relação ao papel cartorial e papal que a igreja de Jerusalém evocava para si mesma. O centro do poder! Esta é uma demonstração simples de como o “poder do Espírito”—“permanecei na cidade até que do alto sejais revestidos de poder!”—pode, rapidamente, se transformar em poder político-religioso, mesmo que o argumento seja tão supostamente nobre quanto dizer: “É para regular a fé”. Eu comecei fazendo a seguinte pergunta: O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder? Na minha opinião Ele esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse, agora, não mais “treinado”, como antes Ele os fizera experimentar—Mateus e Lucas narram esse eventos preparatórios—, mas sim, que agora, tudo aquilo fosse vivido como uma ação continua, num fluxo ininterrupto, num vai e vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano, nem um centro de poder. Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos, e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e, muito menos, um lugar mais santo, ou um centro de poder. Eu vejo Paulo sendo acusado de ter criado o cristianismo. Que terrível acusação! Não, não acusem Paulo disso. Pode-se dizer que dele vieram as elaborações e as conclusões “teológicas” acerca do significado daquilo que entre eles havia acontecido como fato histórico, mas que não tinha ainda tido sua síntese reflexiva e aplicativa feita por ninguém antes. Os apóstolos pregavam a salvação no nome de Jesus, mas não sabiam das implicações mais profundas da fé, e nem tampouco acerca da desconstrução religiosa que tal fé, sendo discernida, provocaria. Acusem sim os “pais da igreja” e seus “mestres” de haverem feito doutrinas sobre as afirmações de Paulo, e de terem usado suas revelações acerca do “mistério antes oculto, agora, porém, revelado de uma vez por todas”, em um pacote de doutrinas, e que vieram a moldar o pensar do cristianismo, embora, a pratica religiosa posterior dos cristãos, seja tão somente filha do casamento da igreja de Jerusalém com as autoridades do templo, e com os legalismo dos fariseus “convertidos à fé”. À isso, posteriormente, se fez sincretismo, incorporando noções dos cultos de mistério dos gregos, abrindo-se também para as influências gnósticas, e adotando o método grego—mais precisamente o Aristotélico—, a fim de ser o “modo cientifico” da igreja pensar e fazer teologia; e sua filhas: as doutrinas. Jesus não havia dito fiquem. Mas apenas fiquem até que sejais revestidos de poder. Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, levado pelo vento, guiado pelo Espírito, e complemente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galileia, nos desertos da judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nas regiões onde os cachorrinhos, debaixo da mesa, aguardavam as migalhas que poderiam saciar a fome de toda a terra. Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrario a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de algo duradouro. Para Jesus o algo duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de vistas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos. Jesus não era pragmático. Se o fosse, teria logo se mudado para Roma, ou teria aceitado o convite dos gregos, conforme João 12. Se Jesus fosse pragmático jamais teríamos o Evangelho. Isso porque o Evangelho propõe o Caminho Inviável, e que só se faz possível quando os homens são capazes de esquecer todas as suas formas de controle e poder. O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim que se tenha vida, é também valido para a igreja, que, ao contrário do discípulo, quer mandar na vida, e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo. O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas não pontuadas, jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos. O reino é como o fermento escondido...até que pervade toda a massa da humanidade...sem ninguém saber como...e sem que ninguém possa dar gloria a mais ninguém, se não ao Pai que está nos céus. Aliás, a proposta de Jesus é tão pouco pragmática, que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse desaparecimento da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, realidade, inescusável benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: ele está na panela. Mas onde? Já a Luz do mundo—vós sois!—, deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo completamente discreto, porém pleno de efetividade; de tal modo que os “de fora” é que ao receberem os benefícios da luz, discirnam-na como boas obras, e, assim, eles mesmos, agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra. O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós”—referindo ao poder de governar dos reis e autoridades—, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum. “O meu reino, agora, não é deste mundo”, os fez pensar que aquele “agora” já havia passado, e que, “agora”, eles estavam livres para facilitar as coisas; ou seja: para complexificá-las, conforme os governos da terra, deixando de lado a leveza do caminho, e o verdadeiro espírito hebreu—andarilho, cruzador de fronteiras—, e que havia sido também encarnado em Jesus. O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder, sem qualquer mandão entre nós; e que a luz do mundo pode ainda brilhar no mundo, não como uma ação da igreja, mas como fruto da bondade justa e misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um agente da igreja, mas apenas um filho do amor de Deus solto nesta terra. E não nos reuniremos mais?—é a pergunta angustiada de alguns. É claro que nos reuniremos sempre. Mas tais encontros não visariam centralizar as forças e organizar as ações de poder, mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor, e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja: com sabor e boas obras. Eu sei que pareço louco para alguns. Não nasci ontem. Conheço os mecanismos de poder dos quais a “igreja” se alimenta. E também sei que apenas um punhado mínimo de pessoas têm a coragem que o Evangelho do reino demanda, que é a coragem para abrir mão do poder, e para liderar pela simplicidade, sem trono a nos acolher em honras. Quem, no entanto, tiver tal coragem da simplicidade, esse conhecerá o significado de ser discípulo de Jesus no reino deste mundo, e que é o poder que nasce da fraqueza—que, aliás, é o único poder que Jesus quer ver sendo vivido pelos Seus discípulos. Minha esperança é que pelo menos alguns poucos entendam e creiam.
A NOÇÃO DE TEMPO E O PROBLEMA HERMENÊUTICO
Um dos maiores problemas da “teologia” e, especialmente, de suas sistematizações, vem da antiga noção de tempo. Os teólogos, em geral, pensam em Deus com as categorias de tempo e espaço, e pensam na Graça como uma “evolução histórica”, como se Deus tivesse crescido com os homens. Hoje em dia é um desperdício sem precedentes continuar a “fazer teologia” sem se entender a questão do tempo, até mesmo do ponto de vista da física quântica. Boa parte dos nosso conflitos doutrinários e teológicos — coisas como predestinação e livre arbítrio — soam pequenas depois que você entende o que é o tempo, sua total relatividade e, no sentido Absoluto, até mesmo sua inexistente-existência. O tempo serve à Relatividade, daí ele servir à História. Mas serve pouco à Teologia, que nunca é o que pretende ser caso não exista entre o temporal e o a-temporal. Deus é! A redenção, portanto, aparece na História apenas porque ela preexiste à própria História. O Cordeiro, afinal, foi imolado no Antes de qualquer História e de qualquer Tempo! Passado, presente e futuro só existem como impressões para seres presos ao tempo e à finitude do ser — nisso inclui-se toda a criação, pois viver eternamente não é ser eterno —, daí os discursos inócuos e simplistas dos teólogos da predestinação pecarem contra o ser de Deus na tentativa de explicar aquilo que só se intui pela fé, visto não estar disponível à compreensão se a referência for a linearidade histórica do tempo. Portanto, se Deus é, tudo está sendo, mesmo o que já foi e o que ainda será aos nossos sentidos limitados!.....
METÁSTASE DE CÂNCER DE MUNDO
O espírito do mundo é fino como aquilo que não se pode ver. Ele se apóia em todas as coisas que não sejam verdade.Assim, virtualmente, apóiam-se em todas as coisas.
Desse modo, são leves brisas as forças que mais nos afastam do passo.
As tempestades são grotescas, caricatas.
Mas as brisas preguiçosas e que se esfregam por nós todos os dias, são as forças que mais nos deslizam sutilmente para fora do passo.
Desse modo, tudo de bom pode contribuir para o que é ruim; e o que é ruim para o que é bom; pois, tudo depende de quem recebe cada coisa, e de como a recebe.
Muitas bondades com o tempo podem se tornar algo ruim. E muitas maldades podem gerar algo bom.
Mas o bom sempre será bom, mesmo quando a bondade se torne algo ruim conforme uma outra interpretação. Assim como a maldade sempre será ela própria mesmo que algum bem seja apesar dela auferido por alguém.
Porém, penetrantes são as brisas geladas do espírito do mundo, as quais, penetrando por todas as nossas fragilidades, dão metástase de câncer de mundo por todo o ser.
Por vezes é frio. Ou pode ser como a lamina do calor mais indecifrável.
Entretanto, quando se percebe... — o espírito já vê através de nós e nós através dele.
Então, nesse ponto, somos conectados ao Espírito do Mundo, como um todo.
Ora, esse processo evolui em suas instalações em nós. Cresce na destruição da nossa simplicidade interior; e nos torna muitos, nos torna múltiplos, nos torna Legião.
Mas o pior nível de “conexão” com tal espírito, é quando a pessoa já não é mais nada além do vento do espírito do mundo.
Um zumbi dos modos, das modas, e dos moods dos tempos.
Então, cada vez mais a pessoa sente como o mundo. Encanta como o mundo, se fascina pelo mundo, se devota ao mundo, se sente parte do mundo, acha o máximo ser clone dos tempos, e fica a mercê dos sentimentos da geração prevalente.
Por isso Jesus mandou que nos acautelássemos das “conseqüências” das orgias, da embriagues e das dissoluções deste mundo.
Pois, basta que se fique vulnerável às “conseqüências”, que o espírito que corresponde ao que de concreto ele expressa no mundo, já encontra seu poder em nós, e se instala em estado delicadamente latente, mas pronto para emergir em nós.
É uma possessão existencial, psicológica, cultural e coletiva. Inconsciente e coletiva. Assim, ficamos sendo habitados pela latência de uma gestação perversa, pronta para eclodir tão logo as circunstancias a evoquem.
Como disse João: “Filhinhos, fujamos dos ídolos!”.
A defesa é uma só:
Discerni os espíritos e eles fugirão de vós!
Nele,....
É BOM DEMAIS E É VERDADE!
Sou apenas um homem que creu. Nada além disso. Não sou discípulo de Jesus porque seja mais lógico, ou mais racional, ou mais humano, ou mais sadio, ou mais qualquer coisa. Eu apenas cri. E cri porque fui seduzido por algo maior do que eu, e que me quis, me escolheu, me chamou, me justificou, me glorificou; e, assim, me deu força para enfrentar a existência; e mais que isto: para poder prová-la como realidade, e sem medo de ser feliz; apesar de tudo o que nos seja ensinado como sendo absurdo. Digo isto porque não dou provas de nada do que afirmo, pois, de fato, assumo que qualquer visão que exista da vida, tal visão deve ser vista como “fé”. Isto porque até para se “descrer”, tem-se que ter fé na possibilidade de uma existência sem fé; o que é também fé na forma de uma pressuposição filosófica negativa quanto a fé. Isto dito, e sem tentativas de prova, afirmo que a mais essencial de todas as afirmações do Novo Testamento é aquela que diz que o Cordeiro foi imolado desde antes da fundação do mundo-cosmo. Ora, isto define a pulsão mais essencial do que seja vida: sacrifício, doação, abertura para tudo, e disposição de se fazer contínuo no outro. Assim, da meta-física que tem no Sacrifício sua pulsão primal, à criação de um ser feito à imagem e semelhança do Criador’; a Vida se torna vida. A criação do homem é mais um ato da Vida criando vida semelhante a Si mesma na Sua realidade mais visceral: o conhecimento de si mesmo e a capacidade de dizer “eu sou”. Jesus disse que somente uma coisa é necessária; e isto tem a ver com tudo na Existência. Tudo vem de Um e tudo volta a Um. E esse Um é como é, não se explica e nem se deixa descrever. Ele apenas se Encarna diante de nós. Mas nem de Seu rosto humano, Jesus deixou cópia. Porque quem via a Jesus via o Pai não porque Jesus “tivesse” a cara de Deus, mas sim porque Ele era Deus. Jesus é como o Pai, mas o Seu rosto humano não é a cara de Deus. A cara de Deus está em todas as coisas e em todas as caras. Porém, o chamado divino é para nos dar não as feições físicas de Jesus, mas sim para nos transformar na face de Cristo. A face de Cristo, para mim, é a minha face glorificada Nele! Disse isto apenas para afirmar que a Vida tem como princípio mais primal, o sacrifício. Esse ato é o Útero de todas as coisas; visto que o primeiro Parto a existir foi a doação da Vida do Cordeiro chamando à luz, e pela Luz, todas as coisas à existência. Assim, quanto mais Deus se esvazia de Deus, mais Deus se torna Deus. Quanto mais Ele se dá, mais tudo se torna Seu; não porque Ele as criou, mas sim porque elas todas se tornam atraídas para Ele. O Deus que é imolado antes de criar é o mesmo que morre na História a morte já conhecida como Sacrifício antes de qualquer existência. O Deus Vivente é o Deus Esvaziante de Si Mesmo! Afinal, Jesus disse que o princípio da vida era dar a vida. Assim, Ele não falava apenas algo a ser relativo aos humanos ou aos grãos de trigo simbólicos, os quais, morrendo, produzem muito fruto. Ao contrário: a vida, em qualquer perspectiva, é sempre assim. Desse modo se pode dizer que o Cordeiro imolado antes de haver qualquer coisa, é a suprema afirmação de que o Deus que se Sacrifica, é o Deus que cria; pois não há vida que não proceda da Vida. E Vida é Sacrifício de Si mesmo para poder ser Graça. Criar é tanto um ato de Graça quanto de Redenção. Para Aquele que foi imolado antes da fundação do mundo, criação e redenção são uma só coisa. Nele subsistem, de fato, todas as coisas; incluindo toda a criação como toda redenção! Entretanto, essa fé se faz compatível com o espírito de Cristo Jesus, e que se recomenda que também nos habite, o qual afirma que Ele sendo Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes esvaziou-se de si mesmo, e assumiu todas as identificações humanas; fazendo-se obediente até a morte, e morte de Cruz; pelo que Deus o exaltou, e lhe deu o Nome que está sobre todo nome, em qualquer que seja o plano ou dimensão. Portanto, em Jesus, Deus chama o homem a viver com Deus enquanto Deus vive como homem! E o princípio único a existir é este: amor, que se doa, e, por isto, tanto cria quanto redime; pois tanto serve quanto perdoa; pois tanto mais misericordioso é, quanto mais misericórdia tenha experimentado. Essa fé, todavia, faz desabar todo o edifício da Teologia. Quem pensar saberá o porquê. Nele,...
DEPOIS DO CORDEIRO IMOLADO ANTES: tudo faz parte...
Hoje, dia 20, no Fantástico, um menino que fez parte do documentário “Facão”, disse o seguinte: “Essa vida é um bagulho difícil”. Certamente ele, nos seus 17 anos, já havia internalizado, pela via da catástrofe na favela e da orfandade paterna, o que Sidarta teve que conhecer buscando. Esse menino, não; ele foi buscado pela dor; e já começa do fato dele viver onde vive, e nas condições de existência e convício aos quais ele é submetido à revelia desde sempre. A conclusão do menino da favela e do tráfico de que essa vida é um bagulho difícil, coincide com a conclusão filosófica e religiosa de todos os pensadores e de todos os credos da Terra. “No mundo tereis aflições”.... “Essa vida é um bagulho difícil”... “Viver é sofrer...” “... é vaidade e correr atrás do vento...”... “O existir humano é desespero...”.... “A existência é nausea”— todos dizendo a mesma coisa acerca do diagnóstico da existência. A questão é: por quê a vida tem que ser esse bagulho tão difícil? À cuja questão, eu coloco as minha próprias: Como seria possível haver o desenvolvimento da consciência sem dor e contradição? E que tipo diferenciado de consciência é essa, que apenas a conhece esse ente humano, que é animal-instintual ao mesmo tempo em que carrega todos os desejos da eternidade em si mesmo? Seria ela, a consciência, passível de desenvolvimento sem dor, num ser que já é em si sofrimento e tensão entre o tempo e a eternidade, entre o finito e o infinito, entre o visível e material e o invisível e espiritual? Ou seja: eternizados num Éden sem tentação, quem seríamos nós? O que sei é que se olhássemos com nossos olhos-morais-de-hoje, lá para trás...; sim, se nos fosse possível adentrar os portões do Éden, antes da Queda, e ver Adão e Eva no Paraíso, que cenas nós veríamos? E como as veríamos e as julgaríamos? Minha certeza é que elas, embora sejam nosso desejo terreno mais profundo, certamente não eram para ser comparadas com o que nos foi dado, apesar da Queda, visto que é indubitável que o Segundo Adão, Jesus, é maior do que o Primeiro Adão; assim como a Graça e excelentemente superior à Lei; assim como o menor no Reino de Deus é ainda maior do que o maior de todos “antes”: João Batista. O que aconteceu no Éden, para mim, faz parte de mais um dos paradoxos e até inexplicáveis contradições da Escritura. Sim, porque se de um lado o que lá havia era “muito bom”; o que se diz que o Segundo Adão fez, depois da Queda, é de uma dimensão que não é para comparar com a Primeira; assim como é tolo tentar comparar a glória de Moisés com a de Cristo, posto Moisés cobria a face em razão do desvanecer, e Jesus deixava o rosto para fora em razão de Seu resplandecer. Ora, como creio na Escritura e em sua revelação, e, sobretudo, creio que Jesus é quem mostrou e disse ser, não me é possível deixar de ver que a Queda é também um acontecimento “para cima”, a menos que haja um outro meio de formar consciência fora do choque das contradições, e conforme a existência a que nos pusemos submetidos, por escolha própria, porém, ainda conforme a soberania de Deus; a qual é tão soberana e sutil, que nos deixa livres enquanto trabalha usando os próprios atos livres do humanos, a fim de esculpir o Homem no homem. Se o Cordeiro foi imolado antes de tudo, então, não há como a Queda não ser vista e entendida como “contradição essencial e necessária” ao processo da formação da consciência. Posto que ela mesma, a consciência ainda não existente, já havia recebido a provisão do Cordeiro. Razão pela qual, após a Queda, os humanos são imediatamente cobertos por Deus com peles de animais; os quais morreram para cobrir os humanos; do mesmo modo como a Cruz de Jesus foi a Consumação histórica do fato eterno estabelecido antes da fundação do mundo: a Cruz do Cordeiro. É por causa da Cruz do Cordeiro Eterno, imolado Antes, que todo o proceso de formação da consciência acontece numa contradição que tem que ser sentida como transgressão, ao mesmo tempo em que precisa ser percebida sob a Graça Eterna. Do contrário, não se tem um adorador, mas apenas um religioso perdido entre a dúvida de “onde” se deve adorar: se em Jerusalém ou se no Monte Gerezim; conforme a Samaritana antes de beber da Água da Vida. Ou, então, tem-se apenas um ser de conciência culpada e neurótica, mas jamais consciente e pacificada. A outra alternativa é a alienação deliberada ou o cinismo consciente. O que de fato estou dizendo é que até a Queda contribuiu para o bem dos que amam a Deus! Pense nisto!....
Águia...

Alguma vez você já pensou aonde vão as águias quando a tormenta vem? Onde é que elas se escondem? Elas não se escondem. Abrem suas asas que podem voar a uma velocidade de até 90km/h, e enfrentam a tormenta. Elas sabem que as nuvens escuras, a tempestade e os choques elétricos podem ter uma extensão de 30 a 50m, mas lá em cima brilha o sol. Nessa luta terrível podem perder penas, podem se ferir, mas não temem e seguem em frente. Depois, enquanto todo mundo fica às escuras embaixo, elas voam vitoriosas e em paz, lá em cima. Finalmente, as águias também morrem, mas alguma vez você achou por aí um cadáver de águia? De galinha talvez, de cachorro ou de pombo, quem sabe até de um bicho de mato nessa extensas estradas de reserva ecológica, mas cadáver de águia você não encontra. Sabe por quê ? Porque quando elas sentem que chegou a hora de partir, não se lamentam nem ficam com medo. Procuram com seus olhos o pico mais alto, tiram as últimas forças de seu cansado corpo e voam aos picos inatingíveis e aí esperam resignadamente o momento final. Até para morrer elas são extraordinárias. Talvez por isso o profeta Isaías compara os que confiam no Senhor com águias. Quem sabe hoje você tem diante de si um dia cheio de desafios. Alguns deles podem parecer impossíveis de ser vencidos, mas lembre-se: descanse no Senhor, passe o tempo com Ele e depois parta para a luta, sabendo que depois daquela tormenta brilha o sol. “Mas os que esperam no Senhor, renovam as suas força.
Criação e maravilhas
Um dia, levantei-me de manhã cedo para assistir o nascer do sol. A beleza da criação Divina estava além de qualquer descrição. Enquanto eu assistia, louvei a Deus pelo Seu belo trabalho. Sentado lá, senti a presença de Deus comigo. Ele me perguntou: "Você Me ama?" Eu respondi: "É claro, Deus! Você é meu Senhor e Salvador!" Então Ele perguntou: "Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda assim Me amaria?" Eu fiquei perplexo. Olhei para meus braços, pernas e para o resto do meu corpo e me perguntei quantas coisas eu não seria capaz de fazer, as coisas que eu dava por certas. E eu respondi: "Seria difícil Senhor, mas eu ainda Te amaria." Então o Senhor disse: "Se você fosse cego, ainda amaria minha criação?" Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de vê-lo? Então eu pensei em todas as pessoas cegas no mundo e quantos deles ainda amaram Deus e Sua criação. Então respondi: "É difícil pensar nisto, mas eu ainda Te amaria." O Senhor então perguntou-me: "Se você fosse surdo, ainda ouviria minha palavra?" Como poderia ouvir algo sendo surdo? Então eu entendi. Ouvir a palavra de Deus não é simplesmente usando os ouvidos, mas nossos corações. Eu respondi: "Seria difícil, mas eu ainda ouviria a Tua palavra." O Senhor então perguntou: "Se você fosse mudo, ainda louvaria Meu nome?" Como poderia louvar sem uma voz? Então me ocorreu: Deus quer que cantemos de toda nossa alma e todo nosso coração. Não importa como possa parecer. E louvar a Deus não é sempre com uma canção, mas quando somos oprimidos, nós louvamos a Deus com nossas palavras de gratidão. Então eu respondi: "Embora eu não pudesse fisicamente cantar, eu ainda louvaria teu nome." E O Senhor perguntou: "Você realmente Me ama?" Com coragem e forte convicção, eu respondi seguramente: "Sim, Senhor! Eu te amo, Tu és o único e verdadeiro Deus!" Eu pensei ter respondido bem, mas então Deus perguntou: "ENTÃO POR QUE PECAS?" Eu respondi: "Porque sou apenas um humano. Não sou perfeito." "ENTÃO PORQUE EM TEMPOS DE PAZ VOCÊ VAGUEIA AO LONGE? PORQUE SOMENTE EM TEMPOS DE PROBLEMAS VOCÊ ORA COM FERVOR?" Sem respostas. Somente lágrimas. O Senhor continuou: "Por que cantas somente nas confraternizações e nos retiros? Por que Me buscas somente nas horas de adoração? Por que Me perguntas coisas tão egoístas? Por que me fazes perguntas tão sem fé?" As lágrimas continuavam a rolar em minha face. "Por que você está com vergonha de Mim? Por que você não está espalhando as boas novas? Por que em tempos de opressão, você chora a outros quando eu ofereço Meu ombro pra você chorar nEle? Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir em Meu nome?" Eu tentei responder, mas não havia resposta a ser dada. "Você é abençoado com vida. Eu não lhe fiz para que jogasse este presente fora. Eu lhe abençoei com talentos pra Me servir, mas você continua a se virar. Eu revelei Minha palavra a você, mas você não progride em conhecimento. Eu falei com você, mas seus ouvidos estavam fechados. Eu mostrei Minhas bênçãos, mas seus olhos se voltavam pra outra direção. Eu lhe mandei servos, mas você se sentou ociosamente enquanto eles eram afastados. Eu ouvi suas orações e respondi a todas elas." "VOCÊ VERDADEIRAMENTE ME AMA?" Eu não pude responder. Como eu poderia? Eu estava inacreditavelmente constrangido. Eu não tinha desculpa. O que eu poderia dizer? Quando meu coração chorou e as lágrimas brotaram, eu disse: "Por favor, perdoe-me Senhor. Eu não sou digno de ser Seu filho" O Senhor respondeu: "Esta é Minha Graça, Minha criança" Eu perguntei": "Então por que continuas a me perdoar? Por que me amas tanto?" O Senhor respondeu: "Porque você é Minha criação. Você é Minha criança. Eu nunca te abandonarei. Quando você chorar, Eu terei compaixão e chorarei com você. Quando você estiver alegre, Eu vou rir com você. Quando você estiver desanimado, Eu te encorajarei. Quando você cair, Eu vou te levantar. Quando você estiver cansado, Eu te carregarei. Eu estarei com você até o final dos tempos, e te amarei pra sempre." Eu jamais chorara daquela maneira antes. Como pude ter sido tão frio? Como pude ter magoado Deus como fiz? Eu perguntei a Deus: "Quanto me amas?" Então, O Senhor esticou Seu braço e eu vi Suas mãos com enormes buracos sangrentos. Logo, curvei-me aos pés de Jesus Cristo, meu Salvador, e pela primeira vez eu orei verdadeiramente...
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